Boa Forma
Quarta-Feira, 7 de Maio 2008 - 23h31
AUGUSTO VINHOLIS Médico e pesquisador lembra da importância da prática de exercícios físicos e de uma alimentação equilibrada para se viver mais
Viver bem e bastante tem sido um objetivo de vida de uma parcela cada vez mais significativa da população, especialmente com o aumento gradativo da expectativa de vida. Para os médicos, viver mais é possível, mas exige reflexão e questionamentos pessoais sobre o corpo e a mente.
É no exercício físico, mas principalmente na alimentação que se esconde o grande segredo para viver mais. Quem afirma é o médico e cientista Augusto Vinholis, autor do livro “A Dieta Ideal, Longevidade com Qualidade de Vida”, que ministrou uma palestra em Ribeirão na última terça-feira.
Ciclo natural
Segundo Vinholis, para viver mais é fundamental que as pessoas entendam que assim como os animais, os seres humanos também têm um ciclo natural de vida. Cada pessoa teria condições para viver um ciclo que dura no máximo 126 anos. Do zero aos 42 anos seria o ciclo material, em que o ser humano produz, reproduz e se enriquece de conhecimentos. Dos 42 aos 84, seria o período do ciclo filosófico, de reflexões, avaliações e usufruto dos bens. Por fim, a partir dos 84 anos, o ser humano entraria no chamado ciclo espiritual, a fase máxima da vida, considerada como um período de iluminação.
De acordo com o médico, no entanto, para viver o máximo previsto pela natureza, o ser humano teria que se programar para isso e se atentar, principalmente, a hábitos muitos disseminados na vida moderna, que minam a longevidade.
Mudança no café
Ele afirma que o café da manhã do brasileiro com leite, café e pão com manteiga deveria ser substituído por cereais em flocos ou farelos. Hoje existem 15 tipos disponíveis no mercado. Os cereais são a fonte de vitaminas e minerais, que ele considera ideal. O pão com manteiga aumenta o índice de colesterol e de triglicídeos, o café desgasta profundamente as enzimas digestivas produzida pela vesícula biliar e o leite e seus derivados nem sempre são bem processados porque uma parte significativa das pessoas não produz adequadamente a lactase, enzima que metaboliza o açúcar do leite (a lactose).
Para ele os cereais também devem ser consumidos no lanche da tarde. Já para o almoço e o jantar, o médico avalia que o ideal é que 80% do prato tenha vegetais crus e, de preferência, recolhidos no máximo 24 horas antes. O restante do prato deve ser composto por legumes, proteínas (carnes) e carboidratos (arroz, feijão, macarrão).
Saiba mais
Mastigação também é importante, diz médico
O médico Augusto Vinholis afirma que para garantir a longevidade, a forma de comer é tão importante quanto o que se come. Ele explica que a mastigação errada provoca o mal aproveitamento das vitaminas dos alimentos (porque não são absorvidas em partículas grandes) e ao desgaste do estômago, que não consegue desfazer o bolo alimentar. Mas, é o intestino que irá ficar com a pior conseqüência disso. O bolo alimentar, mal deglutido, acaba deixando restos pelas paredes do intestino que se acumulam durante anos, formando os fecalitos (fezes que não foram eliminadas). Esses restos podem causar doenças e até câncer no próprio intestino, mas também nos órgãos mais próximos, que no caso dos homens é a próstata, e o ovário e útero no caso das mulheres.
Segundo Vinholis, o ideal é que cada alimento ingerido seja mastigado de 20 a 50 vezes. E mais: ele afirma que as refeições devem ser feitas por grupos de alimentos e que deve haver um intervalo de 10 minutos entre um e outro. A ordem deve ser: verduras, legumes, proteínas e, por fim, os carboidratos.
Uma hora de almoço
- A lei brasileira determina que todo trabalhador tem direito a, no mínimo 1 hora de almoço por dia. O horário do almoço não foi feito para pagar conta, para ir à manicure mas, sim, para almoçar e, de preferência, sem telefone e sem televisão, diz o médico.
Ele também condena a sobremesa. De acordo com ele, o ideal é que o consumo de um doce seja feito pelo menos duas horas depois do almoço e que, de preferência, ele seja à base de açúcar mascavo.