Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 7 de Maio 2008 - 23h45 Combate-se a inflação: 1- reduzindo-se a demanda; 2- aumentando-se a oferta; 3- reduzindo-se custos de produção. Nos alimentos estas propostas são mais claras, mais visíveis.
No ano passado de 2007, os alimentos foram os principais vilões da inflação. China e Índia entraram firme na compra de alimentos e romperam o equilíbrio entre oferta e procura, a lei de ouro do mercado. Feijão (carioquinha, preto e mulatinho), batata inglesa, carnes, leites e derivados vieram à frente como combustíveis a elevar os preços.
A Embrapa, criada nos primeiros anos da década de setenta do século passado, fez uma revolução na alimentação dos brasileiros. Ela atuou na ponta dos custos e, através da pesquisa, conseguiu fazer com que o Brasil: 1- oferecesse aos brasileiros alimentos cada vez mais baratos; 2- se tornasse um dos maiores produtores de alimentos com qualidade e preço, somados o Ocidente e o Oriente.
A oferta de alimentos em todo mundo, entretanto, não conseguiu acompanhar a evolução quantitativa da procura, em crescimento constante pelo fato de China e de Índia romperem o equilíbrio de maneira seguida.
A síntese é simples. E clara. A Embrapa, combatendo a inflação de custos, tem poder menor do que China e Índia, somadas, acelerando inflação de demanda. A conclusão imediata é o aumento de preços no mercado interno brasileiro, pressionando a inflação das famílias.
Inflação proveniente de alimentos – principalmente quando neles estão incluídos os produtos da cesta básica – é muito cruel. Atinge os mais pobres, muito mais do que os mais ricos. É caso da atualidade.
Inflação de custos é de mais difícil combate. Já a de demanda tem modo mais nítido de se neutralizar. Não se deve, no caso, contrair a procura. Pelo contrário. O trabalho deve ser na linha de se aumentar a oferta. Que a agricultura brasileira pode fazer, porque tem competência e know-how para isto.