Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 7 de Maio 2008 - 23h45

Dorothy etc.


A propósito da absolvição do acusado de mandante do assassinato de irmã Dorothy, da defesa estapafúrdia do pai e da madrasta da menina Isabella (independente da culpa deles ou não), do rapaz que saiu de uma rave, atropelou e matou e não foi submetido ao exame de dosagem alcoólica, nada demais. São normais nos novos tempos e devem ser analisados como sinais do que vem por aí. O mundo derruiu-se moralmente e banalizou a ética. Da banalização passa-se à aceitação das normas de conduta amorais; se for conveniente, abertamente imorais. Nessa meleca debatem-se os profissionais que por força da tradição deveriam ter um comportamento “ético”. Entre eles destacam-se jornalistas e advogados.
Jornalistas não são a imprensa: a mídia é um sistema, extensão do poder econômico, com ramificações políticas, conservadora e oportunista. Jornalistas são usados para cavoucar o lixo social e político. Entre eles há uma elite, bem paga quanto mais útil; ou tolerada quanto mais inútil. (Acho que sou do time dos inúteis.)
Advogados antigamente falavam bonito. Uma elite fez história. Hoje, os mais novos nem sabem colocar os pronomes. Alguns são semiletrados. Porém espertos. Com eles surgiu uma neo-ética, manipulando a falácia de que todos têm direito à defesa. Como se não soubéssemos que isto é privilégio de quem paga.
Jornalistas, impedidos de dizer toda a verdade e pressionados pelo conluio da mídia com o bando de colarinho branco, induzem e depois aderem à opinião pública. Vangloriam-se de uma neutralidade que não passa de acomodação à realidade suja. Certos advogados e juízes (atenção: não estou generalizando) deveriam ser julgados com os criminosos que defendem e absolvem. Tanto por ferirem a ética quanto por ofenderem a Justiça.

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