Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 7 de Maio 2008 - 23h46 Podem me chamar de alienado, mas não há nada de novo acontecendo nesta cidade, que seja mais importante do que este céu azul, a luz de maio e este friozinho que chegou a Ribeirão.
O clima mudou. E não falo somente da condição atmosférica, mas também da temperatura das pessoas. Que me desmintam as autoridades, mas suspeito que, com o frio, caia o número de ocorrências policiais, principalmente aquelas realizadas ao ar livre, como furtos, roubos e assaltos.
Também notei uma tendência à melancolia, no seu atributo mais desejável, a postura contemplativa. Olhar para o céu, falar menos, pensar menos e sentir de forma mais intensa a vida. É melhor assim. Pensar é menos eficiente à felicidade do que sentir. O coração ilude-se menos que o cérebro.
Há algum tempo percebi que tudo tem seu tempo. Agora, por exemplo, da mesma forma que chegou o momento em que as chuvas param, o chão seca e o céu firma, também em nós é hora de assimilar as trovoadas passadas, estender as emoções no varal e se mudar para um lugar distante, dentro de nós mesmos.
Exposto ao sol morno nas manhãs frias, este tempo nos ensina que as coisas que realmente nos fazem sentir bem não estão fora de nós. De fora, podemos esperar apenas as sensações. E sensações saturam os sentidos. E enjoam, todas elas. Emoções verdadeiras, aquelas que cultivamos com consciência, estas nos alimentam e estão entre as poucas coisas que valem a pena.
Não é por isso, entretanto, que vamos dispensar um chocolate quente e celebrar com aqueles que gostamos, amigos ou amores. É como disse o Drummond, com a síntese do poeta: a vida, como os textos, precisa de pausas.