Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 8 de Maio 2008 - 23h20 Cada vez mais próximas no campo econômico, a direita e a esquerda fazem agora, dos costumes, sua arena de confronto. Mas só agora. No passado relativamente recente – vale dizer, até a queda do muro de Berlim, em 1989 – no centro das discussões estava o binômio liberdade e igualdade. A esquerda cuidava mais da igualdade do que da liberdade enquanto a direita preocupava-se mais com a liberdade do que com a igualdade.
Antevendo este debate – que praticamente se encerrou na data acima citada – W. Goethe, o genial escritor alemão, dizia: “dia virá em que o homem preferirá a igualdade à liberdade”.
É esta realidade de aproximação dos objetivos de direita e de esquerda – que nem mais são mencionados atualmente como tal – que abre o debate no amplo campo dos costumes.
Wilhem Reich dizia que “não há revolução sem liberação sexual”. A revolução deslocava-se do campo das idéias, do cérebro, para vir para o âmbito do corpo. No centro, a mulher. As revoluções são pensadas pelos homens e executadas pelas mulheres. Elas atingem o auge no ocidente, onde o nu faz o homem voltar ao paganismo. E nu tanto masculino quanto feminino. Enquanto isto, no Oriente, notadamente nos países islâmicos mais radicais, não há nu possível. O homem pensa a mulher nua. A mulher fica nua. É ela que faz a revolução. Que executa o que o homem pensou. Atrás desta liberação – a liberdade superando a igualdade – encontram-se outras discussões. Que se referem ao aborto, ao casamento de homossexuais, ao amor livre.
Os costumes fazem a diferença entre a direita, que continua conservadora e a esquerda – ou as esquerdas – mais livre. Só que a direita, que cuidava mais da liberdade, hoje transfere o bordão à esquerda. Referimo-nos à liberdade de costumes e não à liberdade no âmbito econômico.
Daí vem a pergunta, que tentarei comentar outro dia: qual é a maior força de mudança: educação ou a democracia?