Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 8 de Maio 2008 - 23h21 O sujeito compra uma motocicleta em 2005 por R$ 6 mil. Não consegue vendê-la nem por R$ 3,5 mil, pois hoje as facilidades para se comprar uma nova são imensas. Conselho esperto: em vez de vendê-la, refinanciá-la por R$ 5 mil. Não paga as prestações e como o financiamento é garantido pelo veículo, a financeira toma-lhe a motocicleta, mas ele fica com o dinheiro. O nome no Serasa não é problema: ele faz um empréstimo de R$ 500 e quem lhe dá o dinheiro cuida de limpar seu nome, para realizar o negócio e ganhar os juros.
Melhor trambique para obter dinheiro fácil é ser vereador em Ribeirão Preto. Em 2006 os vereadores receberam indevidamente, segundo o TCE, R$ 7.236,55, referentes a duas sessões (só Beto Cangussú, Fátima Rosa e Gilberto Abreu recusaram a grana). Condenados, devolverão o dinheiro em 20 parcelas mensais de R$ 361,33: sem juros nem correção. Cometeram uma infração, pegaram o indevido, foram condenados e escapam impunes. O caro eleitor se tomasse dinheiro do banco teria de pagar, no mínimo, 173,65% de juros ao ano (a tabela do Banco do Brasil está à minha frente).
A Câmara Municipal de Ribeirão Preto infringiu tanto as normas e a legislação, avançando indevidamente no dinheiro público em favor dos nossos nobres edis, que o seu presidente Leopoldo Paulino contratou, pagando R$ 8.400 por um ano, um escritório de advocacia em São Paulo para defender os vereadores.
Detalhe sem importância: a Câmara tem advogados próprios. Outro detalhezinho: o presidente diz que fez um bom negócio, porque sai mais barato dessa forma. Ou seja: primeiro infringe-se a lei, depois se paga para se defender da infração. E apresenta-se a defesa pelo erro como argumento de boa administração.