Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quinta-Feira, 8 de Maio 2008 - 23h24

Fim de novela


A novela da menina Isabella parece que chegou ao seu final. Pelo menos na parte que mais interessa ao público. A polícia desvendou quem matou Odete, digo, Isabella: o casal vilão papai-madrasta. A cena final foi a mega-operação da prisão dos dois. Senti falta do flash back, onde é revelado como tudo aconteceu.
Agora poderemos esquecer de toda a história e partir para a próxima. Nós precisamos destes dramalhões. É tudo uma questão de segurança. Quando vemos tragédias na casa do vizinho ou na televisão é quando percebemos o quanto nossas vidas estão em ordem. É um gatilho psicológico do ser humano. Não fui eu quem inventou isso.
Nosso fascínio pela tragédia alheia sempre foi uma ilusão desejável. Ele minimiza a importância de nossos problemas cotidianos. Afinal, questões existenciais, rusgas familiares, atritos no trabalho e até pequenas doenças parecem bobagens se comparadas a um assassinato no andar de cima.
Até o tédio de viver uma história sem ingredientes para uma novela, nem mesmo das seis, fica mais suportável diante da possibilidade de um drama. Novelas da ficção ou da realidade (ultimamente está difícil identificar cada tipo) nos dizem que tudo poderia ser bem pior do que está. A alternativa ao prosaico, à mediocridade rotineira é a tragédia. Portanto, agradeça a Deus a vidinha besta que você tem. Ainda bem que a Janete Clair já se foi. Imagine que perigo seria ela escrevendo o roteiro da sua vida, transformando uma personagem sem graça como você em uma figura digna de paixões e ódios. Depois, pegaria todo o seu trabalho em manter seu dia-a-dia estável e jogaria no lixo. Tudo pela audiência.

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