Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sexta-Feira, 9 de Maio 2008 - 23h21

Crime organizado


Estado e família são duas instituições em crise. E não apenas no Brasil. O Estado, pelo advento da globalização que elimina praticamente as nações e institui o regime de união de mercados. A família, pela esmagadora vitória do individualismo. A família – a sociedade conjugal – é a primeira soma de unidades que se conhece em toda saga do homem sobre a Terra.
Pois bem, é no vácuo deixado por estas duas instituições que o crime organizado penetra.
Ganhar dinheiro corretamente é tão difícil quanto gastar dinheiro corretamente. O crime organizado ganha dinheiro – com sua atividade – de maneira incorreta. Mas gasta – ou seria aplica? – de maneira quase totalmente impecável. A máfia nos diz que “não há nada mais perigoso do que um bandido defendido por um bom advogado”. Para defender o delinqüente o advogado só não pode ser comparsa.
Já o Estado, – inclusive e principalmente mas não somente – a quem cabe com a polícia e órgãos de segurança combater o crime organizado, ganha os recursos, duramente recolhidos pelo contribuinte, digamos sem receio, de maneira correta. Mas gasta-os de maneira quase totalmente incorreta.
Do lado da família, a nova fórmula que se pretende seja instituída ainda não veio à luz, não foi conhecida. O sociólogos são chamados à colação.
Na Roma dos césares, o casamento somente se consolidava quando vinha a prole. Vale dizer: quando a esposa virava mater e o esposo transformava-se em pater. À mater, à mãe, competia a garantia estrutural da família. E, por conseguinte, do matrimônio. Quando a família se desfazia, a presunção era de que a mãe falhara. Já ao pater cabia a sustentação econômica e financeira dos seus membros. Portanto, competia ao pai o patrimônio. Pelo qual ele respondia, positiva ou negativamente.
Soldar as duas brechas é a maneira de se tentar coibir o avanço das quadrilhas que compõem o crime organizado.

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