Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 9 de Maio 2008 - 23h21

Matroca


Prefeito e vereadores não utilizam ônibus. Usam carros com motoristas, pagos com o nosso dinheiro. Recebem verbas de “representação” e em Ribeirão Preto os nobres edis até tentaram um “auxílio paletó”. Precisam se vestir bem para nos agradar e na visão deles nada mais justo que pagássemos a conta para vê-los de roupeta bonita.
Em Brasília um deputado que nem chegou ao baixo clero, deve ser coroinha no jogo do poder (mas coroinha em Brasília tem palácio de bispo), reivindica o “auxílio funeral”. Claro, eles são modestos e descobriram que político é mortal. Nada é perfeito. Se um dos parasitas de Brasília morre, como transportá-lo para o seu curral eleitoral? Com o dinheiro do povo, que é besta mesmo, como disse a esposa do senador Renan Calheiros sobre os machos brasileiros.
Desconfio que descobri porquê o povo tolera esse bando. É uma virose que deve ter vindo com a colonização. Domados pelo chicote do sinhô, depois pisados pelas botas do coroné, iludidos com o discurso da canalhada que nos rouba, aceitamos tudo com medo de que algo pior aconteça. Só assim se explica como o povão que espera as carroças fantasiadas de ônibus urbanos em Ribeirão Preto, fica passivamente no sol quente, de pé, horas até que a condução apareça. Estou falando do que sei: como idiota assumido ando de ônibus.
Quarta-feira esperei o 136 (Castelo Branco-Adão do Carmo) mais de uma hora, no ponto da Barão do Amazonas, em frente ao MARP e à praça Carlos Gomes. Cheguei às 13h40 e o famoso amarelão 136 deu as caras às 14h45. Não é fato incomum e nem acontece só com essa linha.
Reação do povo? Fez piada. Riram do descaso e do sofrimento. Ninguém reclamou, só um disse, sorrindo, que “a matroca não muda”. É.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ