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Boa Forma

Sabado, 10 de Maio 2008 - 14h30

‘Malhação’ de sapatilhas

Adriana Matiuzo
J.F.PIMENTA ‘Malhação’ de sapatilhas BALÉ Dança como exercício

Em busca de de bem-estar e saúde, o público adulto de Ribeirão Preto tem quebrado tabus e procurado por aulas de dança, e até de balé clássico, como atividade física. A música clássica e a expressão corporal dos movimentos, somadas ao alongamento e ao fortalecimento da musculatura, tornam a dança uma graciosa arte apoiada no esporte.
A administradora de empresas Valquíria Martins Pane, 45, estava à procura de uma atividade física que alongasse seu corpo e fortalecesse os músculos quando encontrou o balé clássico. Valquíria chegou a fazer musculação e contratou até um personal trainner, mas chegou à conclusão de que a atividade era “chata” para o seu dia-a-dia”. Fazendo aulas há dois meses, a administradora comemora os resultados. Ela diz que sente sua musculatura mais forte e uma mudança “fantástica” na postura. Para complementar, a administradora também faz hidroginástica.
Valquíria conta que a dança em si é a parte final de uma aula. Ela afirma que por trás da leveza dos movimentos dos bailarinos, existe um trabalho persistente de alongamento, de fortalecimento da musculatura das pernas e dos braços, principalmente, e até baterias de exercícios abdominais.
- É muito prazeroso e estou muito satisfeita. O balé superou as minhas expectativas porque é muito lúdico, eu recomendo, disse Valquíria, que antes nunca havia feito aula de balé na sua vida.

Qualquer um pode
Segundo a bailarina Adriana Paula Marques, qualquer pessoa pode fazer dança e balé clássico, seja iniciante ou não. As aulas trabalham com alongamento e outros exercícios, que melhoram significativamente o tônus muscular, a postura, o equilíbrio, a capacidade de memorização e concentração, a flexibilidade e a consciência corporal. Ela, que é diretora da escola Adriana Paula Balé, afirma que sempre pensou nisso, mas que somente quando sentiu um aumento no interesse desse público, implantou suas primeiras aulas.
De acordo com ela, muita gente adulta, inclusive iniciantes, procura a dança porque considera os exercícios de academia monótonos. Em outros casos, gente que nunca teve oportunidade de fazer dança na infância, porque as aulas eram consideradas caras.
Ela destaca que o balé, especificamente, apesar de fortalecer a musculatura, não traz perda de calorias. O ideal para quem quer entrar em forma é fazer um exercício aeróbico (caminhada, corrida ou natação) para complementar as aulas de balé.
Quanto mais sedentário o histórico do aluno, mais cuidadoso tem de ser o trabalho. As aulas não são individuais e o ideal é que os alunos passem por avaliações de saúde com orientação médica.
- Lógico que a aula para o adulto acaba sendo mais específica para aquela faixa etária, mas existe uma superação dia após dia, afirmou Adriana.
O bailarino profissional e professor da Rose Ballet School, Márcio Oliveira, diz que o balé é arte na sua essência porque exige emoção. Mas, segundo ele, exatamente para garantir a leveza dos movimentos, é preciso que o corpo esteja muito bem estruturado, com uma musculatura forte.
O professor aprova a procura de adultos pela dança e conta orgulhoso que sua aluna mais velha já passou dos 50 anos. A diferença nos exercícios está na forma de executá-los. É necessário mais cautela para que sejam evitadas as lesões. No caso de quem é iniciante, o professor ensina passo a passo os fundamentos clássicos do balé. Hoje a escola tem quatro turmas de iniciantes adultos.

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