Economia
Sabado, 10 de Maio 2008 - 17h43
MELHOR APARÊNCIA Não-tecido dá proteção às plantações
Acostumados a usar jornal amassado, papel manteiga e até sacos de lixo como cobertura para proteger plantações de ataques de geadas e pragas, os produtores nacionais começam a testar uma nova tecnologia. Largamente usados nos Estados Unidos e na Europa, os saquinhos e mantas de não-tecidos prometem maior produtividade e melhor aparência ao produto final.
Comuns em outras aplicações, como fraldas descartáveis e absorventes higiênicos, o não-tecido é fabricado em polipropileno e poliéster. O material age como barreira física, para proteger frutas, verduras e legumes de fatores climáticos e do ataque de insetos.
De acordo com o secretário executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Não-tecidos e Tecidos Técnicos (Abint) Jorge Saito, a permeabilidade do material permite a passagem de ar, água e sol – 85% dos raios solares alcançam os produtos protegidos. “O não-tecido pode gerar a ventilação e a umidade adequadas para que seja criado um micro clima ideal para o desenvolvimento das plantas”.
O secretário aponta que, com essas condições de cultivos, os produtos adquirem melhor aparência e maior sabor, além de aumento da produtividade da lavoura conseqüente do menor prejuízo causado por pragas.
Técnica chegou ao Brasil há dois anos
Embora seja aplicado na agricultura brasileira somente há dois anos, o não-tecido é uma tecnologia agronômica usada tradicionalmente por produtores rurais da Ásia, Europa e Estados Unidos. O país conhecia a possibilidade, mas não havia estrutura fabril interna para oferecer o produto ao setor agrícola.
A produção de não-tecido no Brasil é tradicionalmente absorvida pela indústria de fraldas e absorventes, além de demanda pelos setores calçadista, panos de limpeza (wipers) e automotivo. “Com o aumento da demanda em todos os segmentos nacionais, os fabricantes brasileiros de não-tecido precisaram duplicar a capacidade produtiva nos últimos dois anos”, explica o secretário executivo da Abint, Jorge Saito.
Com o aumento de capacidade, a indústria nacional passou a investir fortemente na diversificação de aplicações em setores em que há viabilidade do emprego do material. Além da agricultura, o material pode ser usado pela construção civil.
Luiz Adolfo
Especial para A Cidade