Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sabado, 10 de Maio 2008 - 17h57

Não deixe para amanhã


A morte é onde mora a saudade. E há saudades doídas demais. Elas se acentuam com o tempo. Quanto mais velha a pessoa, mais a saudade se torna dolorida, sentida, levando-nos às lágrimas. Aliás, o poeta Cândido das Neves diz que “chorar é a mágoa, em pérolas, diluir”.
Menos mal se esta mágoa não for produto de remorso. O conde de Lautreamont, morto aos vinte e cinco anos de idade, dizia: “prefiro ter a morte como mãe ao remorso como filho”. O remorso nos faz réu condenado no tribunal de nossa consciência.
Pretendia, neste dia das mães, falar das mães já falecidas. E das que adotaram e criaram – ou estão criando – filhos de terceiros. E adentrei no terreno do remorso, sem querer, sem pretender.
Afinal, todos podemos ter remorso de algo feito. Ou não bem feito.
O mal não é algo externo a nós, mas algo que nos habita, que habita o ser humano. Divide o espaço com o bem, que igualmente habita em todos nós, estabelecendo um constante duelo até a morte.
Mas vamos falar de todas as mães. Vamos falar para lembrar a todos que devemos – se ainda temos o privilégio de tê-la – curtir a mãe, colocá-la no primeiro círculo de nossas preocupações. Sim, porque nós costumamos tirar a família – inclusive filhos – de nossas prioridades, escravizados que somos pelas preocupações do mundo.
Depois, quando tudo já passou, poderemos inclusive ter o remorso de não ter dado aos entes queridos a atenção que eles mereciam.
Que esta seja a oportunidade – se estivermos absortos pelos problemas do mundo – de darmos uma guinada em nossas vidas.
Que os entes queridos – a mãe serve como um grande exemplo – passem a merecer parte de nosso tempo, de nossa dedicação, de nossos sentimentos. E estaremos reduzindo a possibilidade de, depois, quando for tarde demais, nos arrependermos e sermos tocados por um remorso que nos fará sofrer muito.
Feliz Dia das Mães!

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