Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 10 de Maio 2008 - 18h0 Pai, o que é vagina?
-É o canal que une o útero ao agradável, meu filho!
A mãe fuzilou um olhar de reprovação para o marido, pela piada malhada e de mau-gosto. O pai levantou os ombros e as palmas das mãos, como querendo dizer que foi a única resposta que veio à mente naquela situação. Afinal, o filho contava só 5 anos de idade e provavelmente não tinha maturidade para saber toda a verdade. Não naquele momento! Quem sabe mais tarde, quando estivesse mais exposto ao assunto através das novelas e das conversas da escola. Ali por volta dos 7 anos.
Hoje, inocentes somos nós, adultos, que fantasiamos para nossos filhos um faz-de-conta em que eles fingem acreditar, talvez para não traumatizar os coroas. Tudo, mas tudo mesmo, é o mínimo que eles sabem, mesmo que o boletim escolar insista em dizer o contrário:
-Isso é nota que o senhor me apresente, seu João Vítor? Você devia estudar mais para ser alguém na vida! Sabia que na sua idade, Lincoln já falava quatro línguas?
-Tudo bem, pai! E na sua ele já era presidente dos Estados Unidos!
-Vou chamar sua mãe!
E não adianta levantar a mão. A menor sugestão de reprimenda física, mesmo que num grau de gravidade que vá do beliscão ao tapinha no bumbum, pode custar caro aos pais. E quando digo caro, quero dizer financeiramente. Acontece que a hora da terapia está pela hora da morte e um incidente destas proporções levará fatalmente toda a família ao divã. A criança, pela violência sofrida e os respectivos pais pela culpa lancinante de terem puxado a orelha do petiz. Só porque o anjinho amarrou o rabo do gato à porta da cristaleira. Gente grande estressa à toa!