Jornal A CIDADE

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Márcio Bernardes

Segunda-Feira, 12 de Maio 2008 - 23h24

Questão de Opinião


(São Paulo) - Recebi vários e-mails e telefonemas de Ribeirão Preto nos últimos dias. Todos comentavam a notícia deste A Cidade sobre a candidatura de Alexandre Jorge Saqui Neto à presidência do Comercial. Lisonjeado e surpreso, fiquei sabendo que meu nome estava na chapa da nova diretoria, ao lado de outros tradicionais comercialinos. Entre eles, amigos de infância muitos queridos: Hilário Moreira, Laudelino Barbosa, Eduardo Mauro Baptista, Luiz Marino Mariani e Luiz Augusto Viana.
Preciso fazer alguns esclarecimentos. Recentemente, na linda festa de aniversário da empresária Neida Felício, que aconteceu na Daslu, conversei com muitos ribeirão-pretanos, entre eles o Alexandre. Falamos bastante sobre o Comercial, aliás, assunto permanente nos nossos encontros.
Confesso que o entusiasmei a consolidar um grupo de comercialinos, com mentalidade renovadora, buscando transformar o nosso time do coração. Reiterei que a turma precisaria ser abnegada, honesta, disposta e com certa experiência. Os nomes escolhidos por Alexandre, - a começar pelo dele e os citados acima, têm todos esses adjetivos e outros mais. Não posso concordar com a minha inclusão nessa seleta lista por um motivo especial: minha profissão de jornalista esportivo não permite que eu tenha qualquer vínculo com clubes ou entidades esportivas. Não seria ético eu participar de algo que colide com minha atividade profissional.
Muitas vezes brinquei com meus irmãos e amigos que um dia, se Deus me permitir, serei presidente do Comercial. Tentaria assim resgatar o legado do meu saudoso pai, Edmo Bernardes Mello, que dedicou boa parte da sua vida ao nosso amor esportivo.
Mas para eu cumprir esse sonho terei de parar com minha atividade profissional, talvez aposentar, o que neste momento é impossível. Tenho a maior estima pelo Alexandre e por sua família. Sinto a mesma coisa pelos outros integrantes da sua chapa. Sei que com eles o Leão do Norte terá um novo caminho. E vou procurar ajudá-los na medida do possível, desde que isso não interfira eticamente na minha atividade.
Reconheço que o trabalho será árduo. O clube deve estar uma terra devastada. Mas com eles, pela honestidade, prestígio e competência, os objetivos serão cumpridos com mais facilidade.
Amo e sempre amarei o Comercial. Mas não posso esquecer que antes do prazer e do lazer está a minha profissão. Distante fisicamente de Ribeirão Preto, mas emocionalmente sempre próximo, continuarei torcendo pelo Leão. Agora, com meus velhos amigos-irmãos, com muito mais motivo.

*Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário. Site www.marciobernardes.com.br

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