Rodas e Cia
Terça-Feira, 13 de Maio 2008 - 22h56
A BORDO DE UM SONHO “Resolvo descobrir as reações do carro se pisar fundo. Antes, desligo o botão do controle de tração. Pé na tábua. A uns 80 km/h o carro acorda de repente e despeja os 650 cavalos nas rodas”
Imagine uma máquina de sonho, com mais de 600 cavalos de potência, que roda a 340 quilômetros por hora. Assim é o Pagani Zonda Roadster S, uma obra de arte feita em alumínio e fibra de carbono, que carrega o nome do vento dos Andes e foi criado para homenagear um dos maiores pilotos da F1 de todos os tempos.
Nos meus 23 anos de jornalismo, tive a oportunidade de dirigir muitos carros, alguns deles verdadeiras lendas co-mo os Ferraris e Bugatis. Porém poucos aguçaram tanto os meus sentidos como o Zonda, seja pela suas qualidades, seja pela sua história.
Fui convidado para visitar a fábrica e pilotar o carro, que no Brasil é vendido por quase R$ 4 milhões. Nosso teste da versão roadster (conversível) do Pagani Zonda aconteceu numa ensolarada e fria manhã de outono na Itália.
Cheguei cedo à sede da Pagani, no vilarejo de San Cesário, na região de Modena, endereço de marcas como a Ferrari, Lamborghini e Maserati.
O carro me esperava acompanhado de um piloto de corrida, designado para dar as dicas de como domar essa fera com motor Mercedes V-12, de 7,3 litros, e estonteantes 650 cavalos de potência.
Fera adormecida
Chave no contato, aperto um botão vermelho sobre a alavanca de câmbio e vrum! Acordo essa fera adormecida. O ronco do motor faz o corpo inteiro vibrar.
Engato primeira, piso no acelerador e o Zonda solta um urro agudo, igualzinho aos dos carros de Fórmula 1. A embreagem é um pouco mais dura que a de um carro normal, mas o Zonda se comporta muito bem. Apesar de toda força, ele não se mostra agressivo.
Bem, isso até você apertar o pedal do acelerador com vontade. Depois de um cruzamento, sigo em terceira, com o pé apenas relando o acelerador, a uns 120 por hora.
Curioso, resolvo descobrir as reações do carro se eu pisar fundo. Antes, desligo o botão do controle de tração. Pé na tábua. A uns 80 km/h o carro acorda de repente e despeja os 650 cavalos nas rodas, que começam a patinar.
Como um moleque que acabou de ganhar um carrinho na manhã de Natal, dou um toquinho no volante e o Zonda joga a traseira de lado, ainda cantando os pneus.
Depois de um dia inteiro (e quase dois tanques de gasolina), devolvo a fera à sua jaula. No caminho de volta, ligo o equipamento de som e, no CD-Player, “Adios Nonino”, uma das obras de arte do tango de Astor Piazzola.
Hasta la Vista, Zonda!
Pagani Zonda Roadster S
Motor
Mercedes-Benz AMG 12 cilindros em V, 60°, 48 válvulas
Cilindrada: 7.291 cm³
Potência Máxima: 659 cavalos a 6150 rpm
Peso/Potência: 2,04 kg/hp
Câmbio: Mecânico de 6 marchas (+ reverso)
Freios: 4 discos ventilados Brembo
Dianteiros - 380x34 mm com 6 pistões
Traseiros - 355x32 mm com 4 pistões
Rodas
Ligas de alumínio/magnésio
Dianteiras - 19 polegadas
Traseiras - 20 polegadas
Pneus: Michelin Pilot Sport 2
Dianteiros - 255/35/19
Traseiros - 335/30/20
Performance
Aceleração 0-100 km/h 3,5 seg.
Frenagem 200-0 km/h 4,4 seg
Velocidade máxima: 345 km/h
Tudo começou num jantar
A idéia de fazer o Zonda nasceu de uma animada conversa durante jantar em comemoração ao aniversário do piloto argentino Juan Manuel Fangio, um dos maiores nomes da história da Fórmula 1.
Horácio Pagani, que se tornou amigo do lendário piloto, já vivia em Modena, na Itália, onde trabalhava como designer da Lamborghini. Naquela noite, um dos convivas perguntou a Pagani se ele tinha planos de um dia projetar um superesportivo que levasse o nome de Fangio.
Antes que ele pudesse responder, o ex-piloto adiantou que gostaria muito da homenagem, mas que ela só seria completa se o carro usasse motor Mercedes-Benz, a escuderia que o ajudou a construir toda sua carreira nas pistas.
Fangio, que morreu em 1995, chegou a acompanhar o desenvolvimento do projeto, mas não teve chances de ver o carro.
O primeiro carro só ficou pronto em março de 1999. Horácio Pagani, ainda inseguro quanto ao sucesso de seu projeto, decidiu batizar o seu carro como Zonda, o nome de um vento forte, seco e quente que sopra dos Andes argentinos a mais de 200 quilômetros por hora.
Nem bem foi lançado e o Zonda se transformou num sucesso. Jornalistas especializados e a própria concorrência reconheceram no carro um verdadeiro
puro-sangue.
JOAQUIM RIMOLI(*)
Especial para o Rodas & Cia
(*) Joaquim Rimoli é editor-executivo do programa AutoEsporte, da Rede Globo, e editor do site Auto Teste (www.autoteste.com.br), no portal EPTV.com.