Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quarta-Feira, 14 de Maio 2008 - 22h59

Perguntas a responder


E se o Brasil não tivesse se tornado, no dia 7 de setembro de 1822 – como ensinam os livros de História – independente de Portugal? As ciências sociais nos propõem também fazer abstração para avaliar a possibilidade de se ter palmilhado outros caminhos.
Kenneth Maxwell, famoso brasilianista, nos diz: “na minha opinião, o movimento de independência da década de 1820 não aconteceu no Brasil mas em Portugal. Foram os portugueses que não quiseram ser dominados por uma monarquia baseada na América”. É um ângulo diferente, convenhamos.
Imaginem o ano de 1808. Portugal passou a ser governado a partir do Rio de Janeiro que, então, tornou-se a capital do Reino. O que parece claro é que Portugal passaria – com o tempo – a ser um Estado brasileiro na Europa. Como, bem depois, aconteceria com Angola, com Moçambique e com todas as colônias ultramarinas de Portugal. Só em meados de 1970, com a revolução de abril – chamada também de revolução dos cravos – e com a mudança do regime político interno de Portugal, as colônias se tornaram independentes.
A França tem estados – arrondissements – em vários continentes. Inclusive a antiga Guiana Francesa é estado francês na América do Sul.
Da mesma maneira, o Brasil teria unidades federadas – inicialmente chamadas de províncias – em diversos continentes.
Hoje, Portugal seria um estado brasileiro na Europa da mesma maneira que o Brasil teria estados localizados no continente africano. Angola seria um exemplo. Moçambique, outro.
É claro que estamos diante de uma hipótese mas como o tempo: 1- modifica o olhar que fazemos do passado; 2- altera os conceitos, chegando a aceitar que toda a história é contemporânea, segue-se que não se está impedido de se levantar hipóteses. Como esta.
A independência de 1822, a partir desta visão, foi um equívoco? Eliminou de vez o império construído por Portugal a partir do século dezesseis?

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