Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 14 de Maio 2008 - 22h59

Tortura sempre mais


Nos Estados Unidos a tortura é “monitorada” por psicólogos. Lá, a tortura institucionalizou-se, aprovada pela American Psychological Association. A revelação aconteceu no 1º Seminário Internacional sobre a Tortura e no encontro Enfrentamento da Tortura: Implicações Éticas e Políticas para a Psicologia, promovido pelo Conselho Regional de Psicologia-SP, na USP, em São Paulo.
Não se trata de “denúncia”, mas de fato confirmado pela psicóloga militar norte-americana Jean Marie Arrigo. Segundo ela, para obter informações rapidamente é imprescindível torturar. Sendo assim, melhor que os psicólogos, que entendem a mente humana, monitorem os torturadores, como acontece nos EUA.
Lá, as verbas aprovadas pelo Congresso para as pesquisas em psicologia são direcionadas pelos militares. Os psicólogos retribuem: acompanham os interrogatórios e assessoram os torturadores, porém, não podem interferir mesmo se a violência colocar em risco a vida do suspeito. Isto é: trabalhando com os torturadores os psicólogos são testemunhas da brutalidade, não podem impedi-la e não a encaram como barbárie.
Pelo contrário, a doutora Arrigo quer que a prática se universalize, argumentando que os psicólogos podem contribuir para o surgimento de uma “tortura light”. Diante da realidade, diz ela, melhor abrandar a tortura “cientificamente”, pois não se pode evitá-la.
A informação completa, inclusive com o repúdio dos psicólogos brasileiros, está no jornal de psicologia-crp-sp, o psi (número 55, março/abril 2008): Tortura não! Nem hard, nem light. O Brasil já teve algo parecido (ou pior) com os médicos que ajudaram os torturadores na ditadura militar. É preciso ficar atento, pois o que vem do Tio Sam “pega”.

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