Dos Leitores
Quarta-Feira, 14 de Maio 2008 - 23h1 Suplemento Mães
Quero parabenizar o jornal pela matéria sobre parto normal publicada no caderno especial em comemoração ao Dia das Mães.
Eleonora Moraes
Psicóloga e doula
Agricultura familiar
A expansão do cultivo da cana-de-açúcar no Interior do Estado traz benefícios para quem? Aos produtores, aos industriais do setor, ao governo, ou ao País? O pequeno produtor dono de pequenas propriedades essencialmente de subsistência onde os próprios familiares trabalham na lavoura, estão desistindo, pois estavam habituados a preparar terra para o cultivo de grãos para subsistência da família, onde só se comercializava o seu excedente. Hoje esse tipo de agricultura familiar está em extinção. Para se produzir atualmente é necessário grandes investimentos, com alto custo da mecanização, das sementes, dos insumos, óleo diesel, mão-de-obra. Feito tudo, tem que rezar pra chover na hora certa e não ter excesso de oferta para conseguir um preço que empate ao menos com o custo de produção.
A cana hoje é o produto mais rentável, só que o pequeno produtor não consegue produzir por sua própria conta, tem que arrendar suas terras aos especuladores, obtendo uma menor remuneração, pois as usinas usam terceiros para contratar evitando problemas com responsabilização futura. E ainda a destruição do meio ambiente com o esmagamento do lençol freático pelo uso de maquinário pesado, queimadas que além da poluição, matam diversos animais pequenos que não conseguem escapar das chamas, alto consumo de água dos rios na moagem e lavagem da cana, contaminação dos rios e do solo com grande uso de produtos químicos, tais como agrotóxicos e fertilizantes, e o desmatamento para aumentar as áreas de cultivo. Haverá aqueles que dirão mas, e os empregos, na realidade são ocupações sazonais.
Como disse Mario Soler, pode ser “servido chupar cana”, ou o futuro será comer rapadura com borracha.
Marcelo Boges Alonso Guilherme