Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 15 de Maio 2008 - 22h4 O engenheiro sempre foi considerado o profissional do desenvolvimento. E do desenvolvimento econômico. Quando qualquer país passa a acelerar a expansão de seu PIB, a geração da sua riqueza, fatalmente mais engenheiros – das mais diversas modalidades – são recrutados no mercado de trabalho.
Ultimamente, as escolas de engenharia têm proporcionado uma formação mais abrangente para o estudante. Antes, podia-se dizer que o engenheiro – civil, de produção, mecatrônico, dentre outros – tinha uma formação ótima mas somente cartesiana. Que não deixa de ser necessária pela própria exigência do mercado. Entretanto, a visão holística do próprio mercado e da vida impunha uma abrangência maior de conhecimentos deste profissional. Que passou a ter, nos currículos escolares, disciplinas também ligadas às humanidades. Hoje um engenheiro estuda necessariamente ciências sociais, filosofia, direito, administração, economia, filosofia das ciências – dentre outras disciplinas – que são conectadas entre si, mostrando ao aluno que o conhecimento é único. A didática exige que se evidencie as ligações entre todas as áreas estudadas. Afinal, a racionalização, muitas vezes – quando excessiva – é a pior inimiga da razão.
Pois bem, a mídia tem noticiado que no corrente ano de 2008, repetindo-se o que se notou em 2007, os profissionais mais procurados no mercado de trabalho, pelas empresas, têm sido, por ordem, engenheiros, administradores e tecnólogos.
Pode-se, a partir daí, repetir Ludwig Wittgeinstein, quando diz que “na lógica não há surpresa”. Mas, não se pode, também a partir daí, deduzir-se que estas são as profissões com maior futuro.
Não há profissões do futuro. Há, isto sim, profissionais de futuro.
Estes são também os profissionais que sabem que – numa economia em que a verdade de hoje pode ser o equívoco de amanhã – precisam se reciclar sempre.