Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 15 de Maio 2008 - 22h4 Nos bastidores da saída de Marina Silva há um redemoinho maior do que a cafajestice política de Lula. Fanfarrão e populista, tolerava-se. Mas jogar Mangabeira Unger como contraponto de Marina Silva, levando-se em conta quem é uma e outro, e a relação histórica da ex-ministra com o PT, sem falar na importância dela e de Chico Mendes na conscientização de que é vital preservar a Amazônia, só pode cair na conta do cafajestismo político, a nova faceta do presidente.
Ele já disse que os preços dos alimentos subiram porque os pobres estão comendo. Mais forte do que essa bazófia e a cafajestice como tratou Marina Silva, é a ganância dos poderosos. A alta dos preços (não só dos alimentos) deve-se em parte ao custo do petróleo e o que daí deriva. E no maior consumo dos chineses, ávidos especialmente por carne. Nessa ciranda já se observou que a alta do petróleo também é forçada pelo crescimento da economia chinesa.
A industrialização da China consome mais energia, pressiona o preço do petróleo e importa alimentos mais caros. Ao lado disso grandes exportadores estão em crise: na Argentina há conflito entre os “terratenientes” e o governo; a Austrália sofreu a maior seca nos últimos cem anos.
Sobrou para Marina Silva. No Brasil os canaviais engolem terra e a pecuária esparrama boi no pasto na beira da Amazônia. Os “empreendedores” querem plantar soja para exportação e usinas de álcool na beira dos rios pantaneiros e dos que formam a bacia amazônica.
É a oportunidade que os oportunistas enxergam: ganhar dinheiro, agredindo a natureza.
Depois? Bem, depois o Brasil sempre “sifu”, para usar uma gíria de 1968, ano que continua em moda. Como há 508 anos a agressão ao ambiente no Brasil.