Especial
Sabado, 17 de Maio 2008 - 19h18
O NAMORO NO BANCO DA PRAÇA A 7 de Setembro reúne entre 80 e 100 jovens às quartas-feiras
Às quartas-feiras, das quatro da tarde até lá pelas dez da noite, um bom pedaço da praça Sete de Setembro é do GLSB - gays, lésbicas, simpatizantes, bissexuais e até heterossexuais. É a chamada “Quarta é Sete do Babado”. Já foi freqüentada por muito mais gente. Ficava lotada. Mas a intolerância acabou fazendo com que muitos desistissem. Mesmo assim, um grupo de oitenta a cem moças e rapazes, entre 15 a 25 anos, não arreda pé do espaço público. Estão ali para “driblar o preconceito”, como diz A., drag-queen, 17, aluno do colegial no Guimarães Júnior.
Eles vêm de todos os cantos da cidade e muitos moram na região central mesmo. São estudantes e há universitários.
Usam piercing na orelha, no nariz, na boca, na língua... E bijuterias das mais variadas. Alguns trazem tatuagens. São alegres, cheios de gíria, gostam de cantar e, acima de tudo, estão aprendendo a conviver com a hostilidade.
A morena T., 21 anos, é um espécie de “guru”. Sempre é procurada para algum conselho. É ouvida e respeitada. Ela freqüenta a praça desde 2000, quando o movimento Quarta é Sete do Babado estava no começo.
T., quando deixa a gíria de lado, fala com clareza. Ela diz que a intolerância e a falta de compreensão em casa, empurraram os meninos e as meninas para a praça.
Ela admite que tentaram outras opções, como os shoppings, por exemplo. Mas são freqüentemente advertidas pelos seguranças, quando não colocados para fora, sob a ameaça de que não devem voltar.
- “É vexame em cima de vexame”, conta.
T. afirma que o GLS não vai abandonar a praça.
-“É o nosso último reduto. Precisamos mostrar à cidade que existimos, precisamos viver. Queremos ser iguais, ter os mesmos diretos, o mesmo respeito, não sofrer perseguição. Não queremos nada além disso”, alerta.
Para ela, os heterossexuais tudo podem. Os homossexuais, nada podem. Nem andar de mãos dadas.
-“Nós fomos barrados nos shoppings, só por andar de mãos dadas”, denuncia T.
A.F, 21 anos, é universitária. Faz Educação Física na Unip (Universidade Paulista) e diz que foi revistada inúmeras vezes.
Lembrou que um dia, por conta de uma resposta que uma policial não gostou de ouvir, levou um tapa no rosto.
- “O tapa até que não doeu. O duro é saber que você apanhou por causa de uma opção sexual. Qual o crime nisso?”, indaga.
Bombas e polícia
Ao cair da tarde das quartas-feiras, os homossexuais sentem na pele os primeiros sinais do que interpretam como intolerância. Alguns moradores da região soltam bombas nos arredores da praça. Ao invés da irritação, que toma conta de alguns, a maioria tira de letra.
- “Só pode ser para nós, não tem pombos aqui”, brinca A.
Uma viatura da Polícia Militar adentra a praça. O carro passa lentamente entre o grupo de moças e rapazes.
Alguns têm que mostrar documentos. Dez minutos depois, os policiais vão embora.