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Caderno C

Segunda-Feira, 19 de Maio 2008 - 23h6

A Virada em números

Régis Martins
J.F.PIMENTA A Virada em números ALEGRIA, ALEGRIA Virada Cultural 2008 ampliou o público e acertou ao usar o espaço para cultura e artes no Morro do São Bento

Nem o atraso na programação e alguns problemas no som do palco principal atrapalharam a festa. A Virada Cultural Paulista de 2008 em Ribeirão Preto foi, pelo menos em termos de organização e público, bem superior a primeira edição do evento realizada no ano passado. De acordo com dados da secretaria Estadual da Cultura, em dois dias de Virada, 35,7 mil pessoas participaram da maratona artística de 24 horas. Mais do que o dobro do público em 2007, mas mesmo assim, bem abaixo do número registrado em cidades com menos habitantes como Araçatuba, Araraquara e Presidente Prudente (ver box).
A prefeitura acertou ao mudar o local do evento do distante Parque Permanente de Exposições para o Alto do São Bento: mais bonito, acessível e confortável. Apesar do grande número de pessoas, principalmente nos shows de Ultraje a Rigor, no sábado à noite, e Lobão, no domingo à tarde, o clima era de completa paz e tranqüilidade.

Excesso
Os problemas mesmo apareceram no palco. Alguns artistas e até mesmo o público sofreram com o som na estrutura montada entre o Teatro Municipal e a Casa da Cultura. A equipe técnica pecou pelo excesso. Na apresentação do Ultraje, por exemplo, muitos instrumentos encobriam as vozes e o som das guitarras se desequilibravam. A coisa só melhorou da metade para o fim do show. No domingo, o volume na apresentação dos cariocas do Farofa Carioca beirava o insuportável de tão alto.
- Cada artista trouxe o seu engenheiro de som e muitos realmente exageraram. O som do Ultraje, por exemplo, só melhorou quando o técnico deles resolveu ouvir a nossa equipe, informa Mariangela Quartim, diretora de atividades culturais de Ribeirão Preto
Melhor para o roqueiro Lobão que, beneficiado pelo formato acústico, soube dosar peso e lirismo mesmo com as altas freqüências.
Vale dizer que o veterano roqueiro fechou o evento com chave de ouro. Lobão equilibrou sua apresentação com hits de duas décadas atrás e músicas de sua fase independente. Ao contrário do Ultraje que, basicamente, é uma banda de um disco só (“Nós vamos Invadir sua Praia” de 1985) o velho lobo soube se renovar com o passar dos anos.
Sarcástico, o carioca fazia piada com as letras de sucessos antigos como “Rádio Blá”, em que cantou no refrão: “Eu ligo o rádio e jabá/Jabá, Jabá eu te amo”.

Atrasos
Alguns shows também atrasaram, principalmente no domingo. O sábado começou bem, com os artistas tocando nos horários corretos, mas na madrugada, os matogrossenses do Vanguart se apresentaram uma hora depois do programado, exatamente às quatro e meia da manhã. Mesmo assim, os abnegados fãs do grupo lotaram o Teatro Municipal.
A Secretaria Municipal da Cultura informou que o problema foi provocado pela própria banda, que chegou tarde em Ribeirão Preto e quis ainda passar o som no teatro. No domingo, Farofa Carioca, Verônica Ferriani e Lobão subiram ao palco com uma hora de atraso, o que, de acordo com a Prefeitura, foi proposital.
- Foi um ajuste que fizemos para esperar a chegada do público. Não houve prejuízos e sim ganhos, principalmente no show do Lobão, realizado ao entardecer, informa Mariangela, que acredita que a Virada foi um sucesso em vários aspectos.
- Foi muito gratificante pra mostrar que o espaço (Alto do São Bento) é ideal para ter esta convivência de todas as tribos, argumenta a diretora que contabiliza um público acima do divulgado pelo governo estadual de participantes no evento: 42 mil pessoas.
- Este é o número nosso e da Polícia Militar, conclui.


Dados estaduais
Cidades pequenas reuniram maior público
De acordo com a Secretaria Estadual da Cultura, 657 mil pessoas participaram da Virada Cultural Paulista nas 19 cidades em que foi organizada, entre 18 horas de sábado e 18 horas de domingo. A estimativa foi feita com base em levantamentos da Polícia Militar, nos shows ao ar livre, e no controle de ingressos para os eventos fechados.
O curioso é que, a não ser São Bernardo do Campo, que contou com um público de 113 mil pessoas, as cidades menores apresentaram os melhores números. Araçatuba, por exemplo, contou com 78,4 mil, enquanto que Campinas e Santos minguaram, com 25 mil e 14,8 mil respectivamente.
Outros exemplos são Araraquara, com 59,3 mil participantes, e Presidente Prudente, com 45,5 mil, enquanto que Ribeirão Preto, que tem mais habitantes fechou com 35,7 mil.
- Existem variáveis porque cada cidade apresentou particularidades referentes a espaço, clima e atrações, explica Marcos Moraes, coordenador executivo da Virada Cultural Paulista.

Estação Cultura
Moraes afirma que em Campinas, por exemplo, optou-se em realizar o evento num espaço relativamente pequeno, a Estação Cultura, por questões de segurança.
- As pessoas passaram por revista em um local com capacidade para oito mil pessoas. Além do mais, fez muito frio em Campinas no final de semana, explica.
Já o sucesso da Virada em Araçatuba se deve a vários motivos, informa Moraes. Desde as atrações de apelo popular como a roqueira Pitty, até o alto investimento da prefeitura.
- Em Araçatuba, a Virada foi realizada durante o aniversário da cidade e contou com caravanas de municípios vizinhos, comenta.

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