Vicente Golfeto
Terça-Feira, 20 de Maio 2008 - 23h20 Outro dia, periódico de Ribeirão Preto exibia foto de 1928. Mostrava enchente ocorrida no mês de janeiro daquele ano, com foco no cruzamento da rua Saldanha Marinho com avenida Francisco Junqueira. O cenário atualmente é diferente por causa das construções. Que tiveram algumas alterações. Mas o local é o mesmo. E o nível das águas praticamente o mesmo, quando ocorrem enchentes. Não mudou nada. Todo ano escreve-se a crônica de enchentes anunciadas.
Passaram-se oitenta anos. E os fatos de enchentes anunciadas acontecem com a certeza das estações do ano, verão à frente. Ser humano inteligente é aquele que aprende com a experiência própria. Agora, ser humano muito inteligente é aquele que aprende com a experiência alheia. Se não aprendemos com a experiência alheia, pelo menos que aprendamos com experiência própria, com nossos próprios erros. O que vai ocorrer com os locais em que as enchentes têm sistematicamente, todo ano, ocupado é o seguinte: os imóveis gradativamente serão desocupados e o poder público local vai torná-los leito dos cursos d’água. Naturalmente. Como foram ocupados naturalmente. O Laureano, o Tanquinho, o Retiro Saudoso, o ribeirão Preto – para citarmos alguns – voltarão a ter duas calhas, dois leitos demarcados. Uma calha durante o período de seca. Outra, durante as cheias, durante o tempo das águas. Nas cheias, os antigos brejos e as baixadas serão ocupadas.
O poder público não tem recursos para resolver os problemas. Teria. Mas há vinculações orçamentárias que obrigam aplicações financeiras em outros itens. Se algum trecho dos cursos d’água tiver o problema resolvido, será pequeno. Agora, é necessário que nos loteamentos novos, cortados por córregos, que tenham baixadas, se impeçam ocupações. Para não se gerar hoje, um problema para daqui meio século. Problema do mesmo tamanho ou maior do que o que o passado legou às atuais gerações.