Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 20 de Maio 2008 - 23h20 Existem áreas verdes em Ribeirão Preto que devem receber proteção ambiental. A Prefeitura não cuida delas e menos protege: não é novidade, pois o doutor prefeito não consegue nem varrer o calçadão (agora está embonecando-o para a Feira do Livro). A novidade nova é que o secretário do Planejamento, doutor Marcos Spíndola de Castro, resolveu proteger uma área verde.
Coincidência: é um terreno do Município que fica nos fundos da sua casa, no Jardim Canadá. Já que ninguém toma conta, inclusive a Prefeitura que lhe paga os salários, o doutor secretário incorporou a área à sua residência. Fez um muro e botou o terreno dentro da sua posse. Isso é que é zelar pelo bem público.
Chato é que o Ministério Público não percebeu as boas intenções do doutor secretário, que se apossou da área pública só para protegê-la. Como se sabe, no Brasil o que é público “não tem dono”, é de quem meter a mão primeiro. Mas claro, no caso a coisa foi feita com boa intenção (depois, quem sabe?, se ninguém grita...). Tão boa intenção deu frutos: alguns moradores vizinhos a áreas com proteção ambiental resolveram defender o bem público por conta própria, incorporando terrenos às suas posses.
Está no hora do “veja bem, não é bem assim” e esses incorporadores de áreas em meio ambiente protegido se explicarem. Sempre conseguem e talvez possam provar que os outros, como os promotores Maurício Goulart e Antônio Alberto Machado, e o vereador Beto Cangussú (autor da representação ao Ministério Público), estão contra as áreas verdes e o bem público.
Afinal, o doutor secretário cercou, murou, limpou e incorporou um terreno, coisa que a Prefeitura que lhe paga os salários não faz. Turma de reclamões, deixa o homem.