Caderno C
Quarta-Feira, 21 de Maio 2008 - 22h39
O SOM DA SANFONA Evento já é tradicional e reúne músicos de diversas partes do país em Jurucê
O som da sanfona em suas várias vertentes vai ser a trilha sonora deste feriado de Corpus Christi. Começa hoje ao meio-dia o 10º Encontro Nacional de Acordeonistas de Ribeirão Preto, que reúne artistas de todo o país e até da Itália. Além do acordeonista e maestro Paolo Gandolfi, natural da província de Reggio Emília, a sanfona brasileira vai estar representada por grandes instrumentistas e compositores.
São eles: o cearense Waldonys Menezes, aprendiz do mestre Luiz Gonzaga; Adelar Bertussi, pioneiro da música tradicionalista gaúcha; Oswaldinho do Acordeon, carioca radicado em São Paulo que renovou a sanfona nordestina e, a confirmar, a presença da dupla sul matogrossense Capim e Tostão.
- São representantes do que há de melhor em quatro regiões do país: nordeste, centro-oeste, sudeste e sul, informa a acordeonista Gilda Montans, organizadora do encontro que é realizado em sua casa, na Fazenda Santa Estela, distrito de Jurucê.
Despedida
A má notícia é que a edição que comemora uma década de evento pode ser a última, pelo menos nos atuais moldes em que é realizada. Mas Gilda não confirma se o encontro vai realmente acabar.
- Não diria que é uma despedida, mas um até logo. É um ciclo que estou encerrando e por isso não deve ser mais um evento anual, avisa.
A organizadora revela que precisa de tempo para se dedicar a outros projetos, como as composições para o CD que deve lançar com a companheira Meire Genaro.
- Ficava totalmente envolvida com o evento porque dá muito trabalho. Além disso é uma festa cara, explica a acordeonista.
De qualquer forma, o encontro tornou-se uma referência em todo o país. Em dez anos, músicos como Dominguinhos, Mario Zan, Toninho Ferraguti, Gabriel Levy, Dante D’alonzo, o ucraniano Yury Ponomaryov e o italiano Daniel Donadelli participaram do evento sem cobrar cachê.
- Na verdade, o músico até paga para participar e mesmo assim eles dão um jeito na agenda para comparecer, diz.
Homenagem
A presença do italiano Paolo Gandolfi nesta edição de dez anos é representativa. Gilda recorda que foi durante uma visita do italiano a Ribeirão em 1999 que o encontro foi criado. Paolo ficou encantado com o jeito apaixonado dos sanfoneiros do Brasil e, por isso, Gilda decidiu realizar uma pequena reunião para homenageá-lo e apresentar a música brasileira no acordeon. Desde então, o encontro ganhou dimensões nacionais.
- Nesta edição, Paolo vai presenciar a diversidade cultural de um país continental, argumenta a musicista.
A organizadora diz que, desde o início, a proposta do encontro é resgatar a credibilidade de um instrumento que foi muito marginalizado ao longo dos anos. Além disso, a festa visa divulgar a cultura sanfoneira e promover intercâmbio entre os músicos.
- Existe também o aspecto educacional de mostrar esta música ao jovem. É uma proporção pequena, mas significativa em nosso universo, garante.
Jam Sessions
Mais de 350 pessoas devem participar do encontro, em que 30 músicos vão se apresentar a partir do meio-dia em clima de improviso e muitas “jam sessions”. Cada acordeonista tem direito a duas músicas, a não ser as estrelas que vão ter mais tempo para se apresentar.
Estes shows curtos já renderam momentos mágicos, como em 2005, quando Dominguinhos se emocionou durante uma música. A apresentação está registrada em CD.
Quem gosta de sanfona, vai poder conferir vários modelos do instrumento. Desde o mais tradicional até acordeões digitais como o da marca Roland empunhado pelo sempre antenado Oswaldinho do Acordeon. O músico, aliás, vai ser homenageado pelo grupo Sanfonias, que vai tocar “Sorriso de Samantha”, que Oswaldinho escreveu para a filha. Ou seja, uma festa única.
- Não há dúvida que fui pioneira e lancei um movimento de sanfoneiros que deu certo, afirma Gilda, sem falsa modéstia.
Serviço
10º Encontro Nacional de Acordeonistas
Hoje a partir do meio-dia na Fazenda Santa Estela em Jurucê
Inf.: (16) 3610-1356