Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 21 de Maio 2008 - 22h52 O automóvel – símbolo do individualismo, que se acentua com o capitalismo – está sendo cada vez mais requisitado pelas pessoas. Em 2007, o aumento de venda de automóveis superou todas as expectativas, fato que deve – ao que tudo indica – se repetir no corrente ano de 2008. Além de símbolo do capitalismo, demonstração de status, ícone de potência – que as pessoas tentam demonstrar exibindo um automóvel – qual outro motivo que faz com que as pessoas busquem possuir um veículo? Não seria pelo fato de não se ter um transporte coletivo adequado? O Brasil é um país onde impera o individualismo porque o regime capitalista induz a esta cultura. Mas não é mais individualista do que são os Estados Unidos da América do Norte. No entanto, em diversos países da Europa – menos na Inglaterra – e nos Estados Unidos, as pessoas valem-se mais do transporte coletivo para deslocamento nos dias úteis. Somente nos sábados e nos domingos fazem uso do automóvel.
A preponderância do automóvel, da motocicleta – dos transportes individuais – sobre o coletivo sepulta o social. Que deve vir junto com o democrático.
A característica principal de uma cidade democrática é dada pelo seguinte fato: as calçadas são largas. Quanto mais larga a calçada, mais democrática a cidade.
A formação da cidade projeta o regime econômico e mesmo a realidade política. Quando as calçadas são largas, o pedestre é o importante. Ele ganha status máximo no calçadão. Aí ele expulsa o veículo e o espaço passa a ser somente dele.
No leito carroçável – há cidades antigas que ainda têm as ruas em formato para receber carro de boi e carroça – ou na pista de rolamento, a preferência deve ser do coletivo. No coletivo encontra-se uma maioria ante o automóvel, representante da minoria.
É preciso urgentemente cuidar do transporte coletivo urbano. Sob pena de, dentro de pouco tempo, não se ter transporte nenhum.