Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 21 de Maio 2008 - 22h52 Por que o Estado que fala em “fundo soberano” para financiar indústrias no exterior e orgulha-se de ter bilhões de dólares em reserva, oferece ao povo uma das piores educação do mundo? Porque o povo brasileiro não tem consciência das suas necessidades básicas. E entre o básico, o ensino elementar é o menos exigido pelos pobres. E a agenda política é organizada a partir da alienação popular.
Os espertalhões dão ao povo o que o povo quer. O governo, comandado por um deslumbrado e um partido que perdeu o rumo, aliado à politicanalha de sempre, tem um discurso para os “conscientes” e, para o eleitorado, uma prática demagógica que consagra a permanência da exploração.
Só os ricos têm consciência de classe. Por isso eles têm boas escolas para os filhos, bons hospitais e vivem bem. O diabo é que 1% dos mais ricos (1,7 milhão de pessoas) absorve a renda equivalente a 50% dos mais pobres (87 milhões). Entre eles espreme-se a classe média que pega a sobra dos ricos e suga o que falta aos pobres. Ainda existem 54 milhões de pessoas (31,7% da população) cuja renda mensal per capita não passa de meio salário mínimo.
Os ricos, a classe média e os pobres fogem do problema. Os ricos não se julgam privilegiados e os pobres fingem não saber que trabalham para um sistema que os excluem.
Os ricos e a classe média acham que “fazem” o país. Os pobres colam um celular na orelha e pagam 60 prestações por qualquer besteira. No entanto, 44% dos impostos são pagos pelos pobres, que fazem o trabalho pesado para garantir o bem-estar dos ricos e da classe média.
O que fazer? Só picaretas e gênios têm a resposta. Quando o povo não tem consciência política sobram picaretas, faltam gênios. E educação.