Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quinta-Feira, 22 de Maio 2008 - 17h53

Expansão urbana


Alguma cidade cresce sem que a zona urbana, gradativamente, vá engolindo pedaços da zona rural? Ou, em outras palavras, sem que a roça vire cidade? Não há, não é mesmo? Mesmo que cresça na vertical. Como pode e, não raro, deve também crescer. O urbanismo, para ser equilibrado, precisa de expansão da cidade tanto no vetor vertical quanto no vetor horizontal, ambos postos em coordenadas cartesianas. Nestas coordenadas, a abscissa representa a expansão térrea enquanto a ordenada significa a expansão sob a forma de edifícios.
Pois bem, o que vale para as cidades vale para os países. Não há país que tenha crescido sem destruir florestas. No passado, muito mais. Nos dias atuais, após a revolução tecnológica, a preservação das florestas deve ser uma das mais frequentes preocupações dos povos, sob pena de não se legar um mundo habitável às futuras gerações. Administrar o presente com olhos postos no futuro é uma das características de estadista, o político que faz suas ações convergirem nesta direção.
O ideal é o desmatamento zero. A pergunta que cabe é : é viável, é possível? Quando fazemos esta pergunta incluímos a maior floresta de modalidade tropical do mundo, em boa parte localizada no território brasileiro. Começa que – por lei – o particular, proprietário de terra coberta pela floresta amazônica, tem direito de desmatar até 20% do total. Já estamos diante de algo muito superior a zero. Depois, o mote é o retorno financeiro. É preciso que o proprietário tenha um retorno financeiro maior preservando a floresta intacta do que se desmatá-la e usar a terra para a criação de gado ou plantio de produtos agrícolas. Principalmente a soja que, com o biodiesel – somado à demanda do mercado internacional – terá preço cada vez mais atraente.
A Amazônia a ser preservada é, no Brasil, o que é a coca – no Peru, na Bolívia, na Colômbia – a ter plantio evitado.

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