Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 22 de Maio 2008 - 17h54

Voto miçangueiro


É fácil enganar o povo que vive na miséria. Entre vários fatores (distorção da cultura popular, falta de educação etc.) destaca-se a indigência material aliada à alienação e desconhecimento das necessidades humanas. A tragédia brasileira é mostrada pelo IBGE.
Sociedades industriais saturam o mercado e procuram novas formas de consumo ou exploração dos povos periféricos, mas em países subdesenvolvidos a carência de praticamente tudo estimula o consumo supérfluo de pobres e ricos.
Apenas 18,5% dos lares brasileiros têm o conjunto simultâneo de eletricidade, telefone fixo, computador, geladeira, televisão e lavadora de roupas. Ou seja, o básico que toda família deveria ter não é extensivo em seu conjunto a sequer 20% dos lares brasileiros. São Paulo, capital, está melhor “aparelhada”, mesmo assim só 31,8% das casas possuem esses bens. Em Fortaleza apenas 8,3% dos lares têm esse conjunto básico de bem-estar.
As escolas são de baixa qualidade até no coração do agronegócio, como em Ribeirão Preto. Isoladamente porém, 94,8% dos lares possuem televisão. Mas nas zonas urbanizadas apenas 61,5% têm o “luxo” da coleta de lixo e esgotos.
O “mercado” aproveita: a mídia estimula o sonho de “ter” e anula no homem qualquer possibilidade de “ser”. O sistema nega as condições básicas para a dignidade: educação, saúde e trabalho. Fica fácil o controle social: a “iniciativa privada” satisfaz os desejos populares, abastecendo de supérfluos os consumidores, pois já não existem cidadãos.
O Estado escapa da responsabilidade de garantir políticas sociais e todos se locupletam: o poder econômico, pela exploração do povo; povo que se torna massa de manobra e agradece com votos a miçanga que recebe.

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