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Caderno C

Sexta-Feira, 23 de Maio 2008 - 23h10

O Amor de Terezinha

Régis Martins
MATHEUS URENHA O Amor de Terezinha A VOLTA, AOS 79 ANOS O cantor e compositor Mario Augusto pretende fazer shows de lançamento de seu novo CD em Ribeirão Preto

Aos 79 anos, a maioria das pessoas não pensa em outra coisa a não ser curtir a merecida aposentadoria. Mas o cantor Mario Augusto acredita que é a idade exata para um recomeço. Sucesso nas décadas de 50 e 60 com hits como “Desfolhei a Margarida” e “O Amor de Terezinha”, Mario quer retomar a carreira que abandonou nos anos 80. Pouca gente faz idéia que aquele simpático senhor que vive numa casa simples numa vila do bairro Ipiranga em Ribeirão Preto, já partiu corações por todo o Brasil e até mesmo em outros países com sua voz de veludo e composições apaixonadas.
Mario, que nasceu em Jundiaí, fez parte de uma geração pioneira do rock nacional, ao lado de nomes como os irmãos Tony e Celi Campello, que abriram caminho para a turma da Jovem Guarda.
- Naquela época não chamávamos de rock. Era o “iê,iê,iê”, recorda.
Além de cantar bem, Mario também era compositor, um diferencial e tanto naquele tempo em que os artistas interpretavam versões de sucessos internacionais. Não que ele abrisse mão do método. Aliás, foi graças a “Claudete”, versão que fez de uma música dos norte-americanos Everly Brothers, que Mario chamou a atenção do público no final dos anos 50. A canção estava no lado B do compacto de estréia pela gravadora Odeon, que tinha o samba-canção de sua autoria “Não Sei” no lado A.
- Mas foi Claudete que “aconteceu”. Por isso, entrei na música jovem, lembra o cantor/compositor que, antes de enveredar pelo rock, era comparado a Agostinho dos Santos.
Mario ainda lançou outros compactos 48 RPM pelo selo Odeon, mas foi na Copacabana que gravou seu primeiro grande sucesso, “Amor de Terezinha”, uma balada country escrita em homenagem a uma jovem namorada.
- Essa foi sucesso nacional em 1960, conta.

Musa inspiradora
O mais incrível é que foi a mesma Terezinha a responsável pela volta do cantor aos estúdios. Quarenta e três anos depois do fim do relacionamento, o casal voltou a namorar, mesmo que a distância, já que Terezinha vive em São Paulo. Mas o encontro motivou Mario a compor e a gravar músicas novas. O resultado é o CD “Resgatando Jóias...Pra Mim Preciosas”, que acaba de lançar e reúne sete sucessos dos anos 60, 70 e 80 e dez canções novas.
- Eu reatei com a minha musa inspiradora há um ano e tive várias inspirações, conta.
Neste período de mais de quatro décadas, o artista teve seis filhos, além de um de criação, enviuvou, casou novamente, separou e ainda teve tempo de gravar 70 músicas, percorrer a América Latina em temporadas por países como Peru, Argentina, Paraguai e Uruguai.
E pensar que tudo começou na Rádio Difusora de Jundiaí, onde participava de programas de calouros ainda adolescente.
- De lá fui para São Paulo, onde, por engano, cantei um jingle para o patrocinador do programa de Salomão Esper na Rádio Piratininga. Mas gostaram tanto que me contrataram, conta.

Versátil
Em seguida, foi para a TV Record que o contratou como artista exclusivo. Participou de programas como “Alegria dos Bairros”, “Aqui está Record” e “Astros do Disco”. Versátil, cantava rock, músicas românticas e até marchas de carnaval como “Desfolhei a Margarida”, outro hit escrito em parceria com José Sacomani e Elzo Augusto. Naquela época, Mario utilizava o pseudônimo de Oiram Santos para compor.
- É que na época eu preferi separar o Mario cantor do compositor, explica.
O auge da carreira foi em 1963, quando o artista venceu os prêmios Chico Viola e Roquete Pinto. Mas no ano seguinte, durante uma turnê no Rio Grande do Sul, Mario conta que todos os seus shows foram cancelados no golpe militar de 64.
- Então, meu empresário conseguiu alguns shows no Uruguai e Argentina e deu certo, comenta.
No final dos anos 60 conseguiu um contrato numa boate no Uruguai e mudou-se com a família para o país, onde ficou por 10 anos.
- Quando voltei para o Brasil, era um ilustre desconhecido, afirma Mario, que ainda tentou viver de música em Porto Alegre.
Gravou um disco, “Hoje o Astro Sou Eu”, que não obteve repercussão. De volta a São Paulo, foi vendedor em loja de roupas até que na década de 90 recebeu o convite de um dos filhos para trabalhar numa empresa de segurança em Ribeirão Preto.
- Tenho curso de Contabilidade e como estava precisando, vim para cá, recorda.
Hoje, o homem que um dia embalou os corações dos apaixonados com sucessos como “Sempre no Meu Coração” é proprietário de uma escola de formação de seguranças no Ipiranga. Mas quando a música parecia coisa do passado, Mario recebeu um convite para voltar aos estúdios.
Claro que depois de um encontro ocasional com a musa Terezinha, hoje com pouco mais de 60 anos, tudo mudou.
- E durante o casamento de meu filho Mario Júnior, em que cantei, recebi muitos elogios. Então achei que era hora, comenta.


Jóias Preciosas
Gravação contou com apoio de Tony Campelo
Mário Augusto contou com a colaboração do amigo e contemporâneo Tony Campelo para o lançamento de “Resgatando Jóias...”. Foi Tony quem cedeu as músicas originais gravadas por Mário nas décadas de 60, 70 e 80. As faixas fazem parte do acervo particular do irmão de Celly Campelo.
- Tony é um grande amigo até hoje. No início dos anos 60, ele me chamava de irmão, conta.
As faixas inéditas foram gravadas em Ribeirão Preto com arranjos e direção musical de César Nascimento. A gravação e a prensagem dos CDs foram bancados pela gravadora Iris em parceria com um empresário, amigo de Mário.

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