Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 23 de Maio 2008 - 23h20 Dentre outros – são muitos – há dois tipos principais de capitalismo. São eles o de estado e o de mercado. Durante muito tempo, o Brasil construiu seu capitalismo de estado – que muitos diziam, erradamente, ser socialismo – do qual, há algum tempo, diversos segmentos de suas elites pretendem se desvencilhar. Nem todos, diga-se de passagem.
Desvencilhar-se do capitalismo de estado significa caminhar rumo ao capitalismo de mercado. No primeiro, o povo é pobre enquanto o estado fica – para deleite de sua burocracia, que é a verdadeira nobreza dos dias de hoje – com a maior parte da renda. Repito: o presidente Emílio Garrastazu Médici definia o capitalismo de estado como sendo aquele que faz o estado rico e o povo pobre.
A classe média é filha do capitalismo. Ambas classes médias – do capitalismo de estado e do capitalismo de mercado – entretanto são, quanto à sua origem, diferentes entre si. Do capitalismo que vivemos ela nasce do setor estatal. São servidores públicos dos três níveis de governo principalmente, apesar de não ser classe média somente esta categoria profissional. Já a classe média proveniente do capitalismo de mercado é filha da empresa privada sobretudo.
Parece que estamos vivendo uma transição de um regime para outro. As forças internas tendem boicotar esta passagem enquanto o exterior trabalha na linha da aceleração. Daí o choque, que Niccolo Machiavelli já havia visto quando diz: “quando se pretende fazer qualquer mudança, os prejudicados logo protestam. Os que serão beneficiados não sabem”. E fica tudo parado. Durante algum tempo. O capitalismo moderno é capitalismo de mercado. O menos injusto, diga-se a verdade. Para tanto, é necessário que o tributo que se paga ao erário público seja transformado, por via oblíqua, em renda de trabalhador do setor privado. Como, por exemplo, ocorre no Japão e principalmente nos Estados Unidos.