Bom Amigo
Sabado, 24 de Maio 2008 - 15h14
CUIDADOS ESPECIAIS A médica-veterinária Hyppolita Insensee de Barros diz que é comum os cães apresentarem problemas de saúde nestes dias frios
As temperaturas baixas, que trazem tantas gripes e complicações respiratórias para as pessoas nesta época do ano, também podem ser implacáveis com a saúde de animais domésticos. Os cachorros, principalmente, precisam de cuidados especiais, trabalhos de prevenção e de observação para evitar problemas típicos das estações mais frias.
Segundo a médica-veterinária Hyppolita Insensee de Barros, existem três doenças típicas do outono-inverno que costumam vitimizar os cães e exigem muitos cuidados: a cinomose, a traqueobronquite infecciosa canina ou “tosse dos canis” e a pneumonia. Os gatos têm situação diferenciada porque têm independência maior na hora de buscar locais aquecidos, porém têm doenças respiratórias que incidem a qualquer época, independente da temperatura.
A cinomose é uma doença viral, que acomete os cães. A contaminação acontece, principalmente, pelas vias respiratórias. De acordo com a médica-veterinária, trata-se de uma doença grave, de difícil tratamento, que pode evoluir para pneumonia e até atingir o sistema neurológico do cão.
Sintomas
Para os donos dos animais é importante verificar sintomas como o corrimento nasal, catarro, espirros, tosses ou secreção ocular. De acordo com Hyppolita, ao perceber qualquer um desses sintomas é preciso levar o animal imediatamente ao veterinário. Quanto antes detectada e tratada a doença, maiores são as chances de recuperação. Existem casos extremos em que as seqüelas são tão graves que o animal precisa ser até sacrificado.
A pneumonia canina pode ser transmitida por vírus ou bactérias. Os principais sintomas são a falta de apetite, a febre e a tosse. Esta também é outra doença muito comum nos cães nessa época do ano.
Já a traqueobronquite infecciosa canina também pode ter como agente causal vírus ou bactérias e se torna mais comum nos períodos de frio e ar seco. Trata-se de uma infecção na traquéia. A doença tem um sintoma muito peculiar que é o da tosse ruidosa. Outra característica dessa doença é que é de fácil transmissão, um detalhe preocupante para quem tem mais cachorros em casa. A tosse prejudica o sono e a alimentação do cachorro e abre brecha para que outras doenças acometam o animal.
- É preciso ficar muito atento. Muitas vezes, o animal fica deitado e encolhido porque está febril e o dono acha que é normal, que ele está quieto por causa do frio, acontece muito isso. Já tenho recebido cães com essas doenças no meu consultório, disse a veterinária.
Hyppolita afirma que, além de observação, os donos precisam se preocupar com o aquecimento dos animais nessa época, inclusive por conta das tosas. Ela lembra que os animais domésticos não estão acostumados a se proteger sozinhos cavando buracos no chão, por exemplo. O ideal é que o animal tenha um local para dormir coberto e, devidamente, protegido contra as correntes de ar. O uso de cobertores e roupinhas também é bem-vindo. Ela disse que mesmo entre os animais existem variações de sensibilidade com relação ao frio. Alguns animais são mais frágeis que os outros.
- O animal que passa frio libera em seu organismo o hormônio do estresse, o cortizol, que abaixa o sistema imumológico do organismo, assim como acontece com as pessoas, disse Hyppolita.
CONFIRA As principais doenças de inverno dos cães e seus sintomas MAIS COMUNS
Tosse dos Canis (Traqueobronquite infecciosa): Tosse ruidosa
Cinomose: Febre, corrimento nasal, catarro, espirros, tosses, secreção nos olhos
Pneumonia: Tosse, falta de apetite, febre
Artista plástica aposta em prevenção
A artista plástica Adda Prieto tem 12 cachorros em casa e muitas experiências com doenças de cachorro. É que costuma adotar cães abandonados que estejam doentes. Há cerca de um mês, Adda havia acabado de adotar três cachorrinhos que estavam exatamente com as doenças típicasdo inverno.
Pitty, a cachorrinha que estava com a tosse dos canis foi tratada durante dez dias com antibióticos e medicamentos homeopáticos. Teve que ser isolada na chácara da artista plástica para não contaminar os demais cães. A cachorra se recuperou e agora já convive com os outros animais da casa.
Mas, os outros dois cães, Luna e Preta, não tiveram a mesma sorte. As cachorras estavam com a cinomose em estágios graves e tiveram que ser sacrificadas.
Adda, que ainda está abalada com a perda das duas cachorrinhas, disse que depois de dar um tratamento inicial aos seus animais, investe em vacinas. Para ela, esse é um jeito de não colocar a vida do animal em risco e de cuidar dos animais com mais praticidade, inclusive.
- O cachorro é como uma criança. Com as vacinas eles não ficam doentes. Um dos cachorros está comigo há oito anos e nunca adoeceu, afirmou a artista plástica, que mesmo com as vacinas, faz questão de usar forros de papelão para deixar os animais quentinhos durante a temporada de frio.