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Caderno C

Sabado, 24 de Maio 2008 - 15h18

Combate Histórico

DIVULGAÇÃO Combate Histórico JORNALISMO E DRAMATURGIA Mais uma experiência da EPTV no chamado ‘jornalismo histórico’. Em 2006, emissora mostrou os 150 anos de Ribeirão

Pouca gente sabe, mas no mesmo período em que a Guerra dos Farrapos colocava o Rio Grande do Sul contra o Império de D. Pedro II, outro movimento rebelde ganhava força no interior paulista. Esquecida e pouco relatada até mesmo nos livros de história, a Revolução Liberal de São Paulo, de 1842, foi logo debelada pelo então Barão de Caxias (que depois tornaria-se Duque), mas deixou um saldo de dezenas de mortos.
Para preencher esta lacuna sobre o assunto, a EPTV exibe a partir de amanhã o documentário “Combate da Venda Grande” que utilizando-se da linguagem jornalística e da teledramaturgia, revela um momento determinante na formação do estado paulista.
- O “Combate da Venda Grande” é o que chamamos de jornalismo histórico, que não é muito comum no Brasil mas muito praticado no exterior, diz o diretor de Jornalismo da EPTV, Ciro Porto, que também conduz o documentário.

Jornal Regional
A produção tem um hora e 40 minutos, divididos em 10 capítulos que vão ao ar a partir de amanhã no Jornal Regional Primeira Edição. Ciro afirma que foram cinco meses de produção e três de edição, resultando em 80 horas de gravação em 25 cidades diferentes.
Para a parte de dramaturgia, foi contratada a companhia de teatro Sia Santa, que ficou responsável pela seleção dos atores, figurino, cenografia e roteiro. A companhia reconstituiu cenas da época, reproduziu armas, canhões e contou com o apoio também do Exército. Soldados do Batalhão de Infantaria Leve de Campinas participaram das cenas de combate, como atores.
Setenta atores participam de vários episódios que mostram todo o processo da revolução liberal, desde as negociações políticas naquele momento tumultuado do Brasil Império, até os combates entre as tropas rebeldes e o exército.
A computação gráfica também foi usada não só nos efeitos especiais das cenas de combate, como para reconstruir cenários de 166 anos atrás. O confronto decisivo que dá nome à série aconteceu em Campinas, então chamada de Vila de São Carlos.
- Dezenove pessoas morreram no combate. Hoje a gente pode achar pouco, mas vale lembrar que na época a população de Campinas era de 10 mil pessoas, conta Ciro.

Levantamento
Esta não é a primeira vez que a emissora utiliza dramaturgia num trabalho jornalístico. Em 2006, a EPTV realizou um especial sobre os 150 anos de Ribeirão Preto. Mas para produzir o “Combate da Venda Grande”, a equipe da emissora teve um trabalho muito mais complexo por causa da pouca literatura sobre o assunto.
Ciro ressalta que o grupo responsável pelo levantamento histórico visitou mais de 35 museus e centros de pesquisa em 25 cidades de cinco estados. A equipe era formada basicamente por três pessoas: a chefe de redação e apresentadora Luciane Viegas e as produtoras Angélica Pizolato e Luana Cezarini. O diretor de jornalismo vê uma relação importante entre o movimento Farroupilha e a Revolução Liberal.
- Eram regiões próximas no século 19. O Paraná naquela época pertencia a São Paulo, que por sinal mantinha divisas com a capital do Império, explica.
Vale lembrar que o “Combate da Venda Grande” é o primeiro produto todo feito em alta definição no jornalismo local da EPTV. Até então a emissora já tinha produzido dois programas para o Globo Repórter também em HD (high definition, em inglês). A série termina dia 6 de junho, véspera da data do combate que determinou o destino dos rebeldes.

história
Tobias de Aguiar comandou revolta
A Revolução Liberal foi comandada por Rafael Tobias de Aguiar (1795-1857), que havia presidido a província de São Paulo de 1831 a 1835 e de 1840 a 1841. Tobias de Aguiar liderou a Revolução com a ajuda, na região, do padre Diogo Antônio Feijó. A proposta principal era usar as armas para derrubar o presidente da província, o Barão de Monte Alegre.
Em 15 de maio de 1842, Sorocaba foi declarada capital provisória da Província de São Paulo e Tobias de Aguiar seu presidente interino. De imediato, foi formado um exército de 1,5 mil homens dispostos a tomar São Paulo e derrubar o governo do Partido Conservador, apoiado pelo Império.
Em Campinas, o exército rebelde era comandado pelo capitão ituano Boaventura do Amaral, que morreu no Combate da Venda Grande, em 1842. Hoje, Rafael Tobias de Aguiar é considerado o patrono da Polícia Militar de São Paulo e seu nome figura no 1º Batalhão de Polícia de Choque - “Tobias de Aguiar”, unidade de elite de patrulhamento tático, mais conhecido pelo nome de “ROTA” (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

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