Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sabado, 24 de Maio 2008 - 15h36

Universidade do crime


A taxa de reincidência criminal no estado de São Paulo é de 58% contra 70% que representa a média nacional. A paulista, como se vê, é um pouco menor mas nada lisonjeira também. Nos dois totais incluem-se os presos que receberam liberdade condicional por bom comportamento. Mas, voltaram a delinqüir.
A explicação, com raízes no comportamento da sociedade, é dada pelos próprios presos. Não conseguem – no retorno ao convívio social – superar a desconfiança das empresas. Que não aceitam contratar, por preconceito misturado com medo, um ex-presidiário. Sem opções, voltam ao mundo do crime. Mas há a realidade de dentro das prisões, que não pode ser descartada. Isto apesar de a legislação brasileira ser até, sob certo ponto de vista, evoluída. Mas fica tudo na lei apenas. Nada na prática.
Cadeia é a universidade do crime, com direito a pós-graduação em delinqüência.
A busca da ressocialização do preso deve passar, primeiro, pela laborterapia, dizem os técnicos no assunto. Depois, deve haver condições razoáveis de existência dentro das prisões. É preciso manter um mínimo de dignidade humana. Uma cela para cada preso – ainda que pequena – respeitando sua individualidade e evitando a promiscuidade, natural em ambiente em que a densidade de pessoas por metro quadrado é inconcebível, seria um bom início. O Brasil perde muito capital humano em acidentes de trabalho, em homicídios, em acidentes de trânsito. Mas também perde na delinqüência. Mesmo aqueles que sobrevivem no seio da sociedade não são recuperados a fim de terem vida útil.
Raros são os que se ressocializam plenamente. A capacidade do estado de criar vagas nas prisões para os delinqüentes tem sido menor do que a capacidade da sociedade de produzir delinqüentes. Castigar é palavra que vem do latim – castum agere – que significa tornar casto, purificar, apurar, melhorar. Eles saem piores.

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