Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 24 de Maio 2008 - 15h37 Deixo para minha dileta sogra um saquinho com cascas de pão e um ventilador para refrescar suas costas, na esperança de que ela engasgue ou pegue uma pneumonia. Para meu cunhado, deixo uma riquíssima coleção de contas a pagar, contraída em seu nome junto ao agiota e ex-pugilista Betão Arranca Toco.
Para meu generoso patrão, deixo um estoque de calmantes para que utilize, com parcimônia, quando os fiscais da Receita surgirem na firma, motivados por um certo livro-caixa que, talvez por engano, tenha eu enviado pelo correio.
Para meus amados filhos, deixo meu exemplo de vida, além de uma enxada e uma pá, em bom estado, garantindo assim o sustento de ambos, haja vista o pouco aproveitamento que, infelizmente, demonstraram enquanto diziam estudar (devo concordar que tomar cachaça e jogar sinuca é bem mais divertido) naquela escola de elevadas mensalidades.
Ao meu fiel amigo Pestana, extensivo à sua dedicada mulher, deixo o endereço de um site na Internet, onde ambos poderão visualizar as saborosas fotos de um de seus “serões” na empresa. Será curioso constatarem os espelhos no teto e a cama redonda neste ambiente de trabalho.
Para minha amantíssima esposa, deixo uma foto colorida de nosso vizinho, junto ao teste positivo de HIV do mesmo, na esperança de que, mais uma vez, possam se irmanar em mais um encontro furtivo durante minha ausência. E, finalmente, para a Detinha, de cuja existência, espero, ninguém saiba até este momento, deixo o carro, a casa e os dólares que consegui, vendendo tudo o que pude, além das lembranças dos bons momentos que vivemos juntos. Agora me despeço, na certeza de haver agradado a gregos e baianos.