Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Economia

Sabado, 24 de Maio 2008 - 16h42

Bom momento para o setor

JOYCE CURY Bom momento para o setor RUDNEY TONETTO “É preciso estarmos bem adequados para o desafio do momento”

O Brasil já está sendo beneficiado, mas pode ser muito mais, quando o cenário mundial se caracteriza pela procura maior que a oferta de alimentos como conseqüência do aumento de renda e consumo em quase todos os países. O país tem condições de tirar proveito desse quadro, se adotar as medidas adequadas, ou pelo menos não adotar medidas restritivas.
É o que manifesta o professor Rudney Tonetto, diretor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) de Ribeirão Preto, da USP, salientando que “é preciso estarmos bem adequados para o grande desafio do momento”.
O que não pode acontecer, segundo Tonetto, é o aumento da taxa básica de juros, nem outra medida que resulte em frear o crescimento econômico, sob o argumento de que elas são necessárias para conter a inflação. Claro que é preciso evitar o aumento da inflação, mas o governo, nessa hora, tem que agir de forma a pensar na conjuntura mundial em que o Brasil está inserido, sustentando o crescimento, avalia o diretor da FEA.
Analisando o quadro mundial, Rudney Tonetto observa que existem dois impactos simultâneos: de um lado, o aumento no preço do petróleo e, com ele, aumento no custo do frete e de fertilizantes, afetando o custo de produção; e, de outro, o aumento da demanda mundial por alimentos como conseqüência do aumento da população e da melhora de renda em vários países, principalmente China, Índia e nações da África.

Estímulo à produção
O professor de Estratégia da FEA-RP, Marcos Fava Neves, reforça o argumento, citando, ao lado do aumento da urbanização, a melhor distribuição de renda em países populosos e programas governamentais de assistência. Inclusive no Brasil, com o Bolsa-Família e outros.
Assim, a situação fica favorável para o agronegócio. Mas “não podemos retroceder”, frisa Fava Neves, rechaçando possíveis “medidas indesejadas”, como “aumentar o protecionismo, fomentar a auto-suficiência de regiões ineficientes, criar taxas de exportações ou mesmo transformar companhias privadas em empresas públicas”.
O cenário internacional beneficia os produtores rurais brasileiros, que terão, este ano, renda bruta de R$ 149,5 milhões, segundo a última estimativa divulgada pelo Ministério da Agricultura. Este valor é 17% superior ao do ano passado e quase 10% maior que a renda bruta de R$ 136,3 milhões alcançada em 2003, até então o melhor resultado e que antecedeu o período de três anos seguidos de crise no agronegócio nacional.

CARLOS ALBERTO NONINO
ESPECIAL PARA A CIDADE

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ