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Sabado, 24 de Maio 2008 - 16h50

Novos recursos contra a pressão alta


Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas do campus da USP de Ribeirão Preto utilizaram um composto que atua como potente vasodilatador e normaliza a pressão arterial de ratos hipertensos, sem alterar a pressão das cobaias que não têm o problema.
Além disso, o composto não provoca efeitos tóxicos colaterais.
Esse resultado e outros trabalhos, feitos com a mesma fórmula que libera óxido nítrico - a molécula mais estudada em todo o mundo, no momento, para combater os mais variados tipos de doença - serão apresentados daqui a uma semana, em um Congresso na Finlândia, pela professora Lusiane Maria Bendhack, titular de Farmacologia e coordenadora do grupo.
O encontro será somente sobre óxido nítrico e os fatores de relaxamento muscular. Depois o tema será debatido em outro encontro internacional na Áustria.

Experimentos e novas perspectivas de tratamento
Contratada desde 1988 para lecionar Farmacologia Vascular, depois de terminar seu pós-doutorado nos Estados Unidos, Lusiane Maria Bendhack, está à frente desse projeto temático, financiado pela Fapesp, há cinco anos.
A pesquisa aborda experimentos com o óxido nítrico sob diferentes aspectos.
Nas células do músculo liso vascular em que ela trabalha, por exemplo, tudo é feito para que o óxido nítrico seja liberado no meio intracelular, onde pode se ligar a enzimas da célula.
- Esses resultados são muito bons porque funcionam contra a pressão alta em ratos e não alteram o equilíbrio dos animais sadios. O interesse é porque não existe até hoje no mercado nenhum vasodilatador que possa ser usado terapeuticamente, por longo prazo, pelos hipertensos - informa a especialista.

Evitando a tolerância
Todos os medicamentos que já existem, segundo ela, causam dilatação esperada das artérias mas depois liberam substâncias tóxicas ou não fazem mais efeito, se usados por mais de uma semana.
É o caso dos nitratos (tipo isordil) usados emergencialmente debaixo da língua como dilatadores de artérias quando ocorrem anginas do peito.
- Numa situação aguda realmente salva o paciente, mas se for usado sempre pode levar à tolerância. Por isso, por precaução, estamos estudando se esses nossos compostos poderiam provocar o mesmo efeito - lembra a farmacologista.

Trabalho é destaque nos EUA
Artigos sobre os estudos desenvolvidos na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de RP foram publicados em revistas científicas internacionais, merecendo até a capa da revista de ciência “Nitric Oxide”, sobre atuação desses compostos que liberam óxido nítrico na área de Chagas. E em junho, as fotos das células vasculares com esses compostos ganham novamente primeira capa. O “segredo”, para a professora Lusiane Bendhack, é uma equipe multidisciplinar nas áreas de química, farmacologia, biologia celular, farmacotécnica, fotobiologia, citoxicidade.
- Podemos fazer desde a síntese do composto, testar a atividade biológica, pensar numa formulação farmacêutica e talvez, até um medicamento. Temos ambiente, pessoal e infra-estrutura para isso, acrescenta confiante.

Rubens Zaidan
Especial para A Cidade

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