Especial
Sabado, 24 de Maio 2008 - 16h50 Uma molécula simples, formada por nitrogênio e oxigênio, vista apenas como tóxica e poluente desde 1772, quando foi descoberta - provocou uma revolução nos meios científicos a partir de 1990, ao se constatar que está presente em todas as células do sistema biológico: de 10 trabalhos de pesquisas por ano citados na literatura científica mundial, a molécula monopoliza hoje 14 mil publicações anuais.
- Sabemos que óxido nítrico está envolvido na regulação da pressão sangüí-nea, neurotransmissão, sistema respiratório, na bioquímica da ereção peniana, doenças inflamatórias, disseminação de fungos e parasitas, entre outros - garante o professor Roberto Santana da Silva, livre docente de Química Inorgânica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto, com pós-doutorado no Canadá e nos Estados Unidos. Ele é responsável pela síntese dos compostos químicos que liberam a produção de óxido nítrico para as diferentes áreas de estudo.
Santana concorda com a coordenadora do projeto, professora Lusiane Bendhack, que chama o óxido nítrico de “ molécula mágica” – mas que precisa ser controlada, porque usada em excesso se torna tóxica.
“De uma forma ou de outra, o óxido nítrico está modulando as mais diferentes funções, em diferentes tipos de células”.
Perigo
O pesquisador alerta para o problema do uso indiscriminado dos anabolizantes disponíveis para quem pratica esporte.
- Como tem propriedades antioxidantes, existe uma gama de produtos comerciais para atletas que podem até matar - alerta, lembrando que dependendo da concentração o óxido nítrico pode causar câncer e pressão alta. E que a mesma molécula, em outras concentrações, se transforma em potente anticancerígeno e controlador da pressão.
Conta que até o final do ano, deverá passar três meses no National Institute of Health, nos Estados Unidos, com o pesquisador David Wink, que trabalha com neurotransmissão. É o mesmo que trouxe para o campus da USP em Ribeirão Preto a primeira idéia de pesquisa com essa molécula, induzindo o trabalho pioneiro,em 1998, dos professores Douglas Wagner Franco, Alzir Azevedo Batista (hoje no campus de São Carlos) e Elias Tfouni, da Faculdade de Filosofia da USP de Ribeirão Preto.
- De repente, quem sabe, o óxido nítrico pode ser importante no controle do Mal de Alzheimer ou do Mal de Parkinson como já é no controle do Mal de Chagas no organismo (pesquisas em Ribeirão Preto e São Carlos).
Tem ligação também com problemas de diabetes, sistema respiratório e até com a ereção peniana.
- O sildenafil ( tipo Viagra) libera o óxido nítrico para aumentar o influxo de sangue para a área peniana.
Acredita que essa deve ser a razão porque o Viagra tem sido testado em várias universidades do mundo para outros problemas como memória fraca, esclerose múltipla, problemas de fuso horário, entre outros.
- Nossos compostos tem um metal central, que chamamos de rutênio, ligado ao nitrosilo, que é o óxido nítrico em estado de oxidação diferente. A função dele é carrear o óxido nítrico para que seja liberado no momento exato e na quantidade desejada. São raros os compostos que liberam óxido nítrico de forma controlada - alertou o pesquisador.
Rubens Zaidan
Especial para “ A Cidade”