Geral
Sabado, 24 de Maio 2008 - 16h54 Como não deixa marcas evidentes no corpo da vítima, como acontece nos casos de agressão física, a violência sexual é difícil de ser identificada. Conforme os especialistas, as denúncias são instrumentos importantes para a detecção do abuso.
Segundo a psicóloga Marina Rezende Bazon, a identificação precoce da violência é fundamental para evitar que os traumas deixados na vítima se agravem no futuro. Sem tratamento adequado, as crianças podem se tornar adultos agressivos, usuário de drogas e com distúrbios de comportamento – há ainda potencial para praticarem o mesmo crime que os afetou.
Para o promotor da Infância e Juventude, Fernando Abujamra, o Brasil também precisa evoluir a maneira como trata vítima e família. “Hoje ainda predomina muito a visão de que punir o agressor resolve o problema. Mas a vítima tem que ser vista como alguém que deve ser resgatado de uma situação de opressão”, afirmou.
Segundo Abujamra, a violência sexual deve ser vista como questão de saúde pública, que demanda equipamentos adequados. “As Unidades de Saúde Mental do Estado precisam se qualificar mais para o enfrentamento à violência à criança. O tratamento tem que ser especializado, para lidar com cada especificidade do problema”.