Caderno C
Segunda-Feira, 26 de Maio 2008 - 22h1 O ator americano Harrison Ford completa 66 anos de idade em 13 de julho próximo e, se depender de parte da mídia, parece mais um velhinho gagá que nunca, jamais, deveria interpretar novamente Indiana Jones no quarto episódio da série, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, que também já está nas telas de Ribeirão Preto.
Os exemplos anti-Ford estampados em sites e publicações são variados. “Indiana está de volta para retomar seu posto - mas não faria mal algum delegar o chapéu e o chicote a um herdeiro”, escreve Alysson Oliveira, do Cineweb, no site da Reuters. No site Slash Film, o cineasta alemão Uwe Boll dispara: “todos sabemos que Harrison Ford é mais velho que meu avô”.
Ainda não assisti ao quarto Indiana e, assim, nem entro na seara de criticar o filme. Quero me ater ao sessentão Harrison Ford. Por que ele não pode encarnar mais o protagonista da série? Tem charme, cabelo, parece magro e o corpo é de quem frequenta academia. Não há a tendência de que a terceira idade agora vive mais porque se alimenta bem, pratica exercícios? Então por que excluí-la de papéis de primeira linha? Claro, “Reino da Caveira” chega às telas quase 20 após depois o terceiro da série, “Indiana Jones e a Última Cruzada”, e Ford, segundo a boataria, quase saiu no braço com o diretor Steven Spielberg porque queria porque queria utilizar o chicote dos episódios anteriores. Ganhou a parada.
Fazer culto ao jovem é de interesse geral, e quase uma obrigatoriedade da indústria - até porque o jovem tende ao consumo compulsivo, para a satisfação de fabricantes de celulares, de jeans ou de refrigerantes. Mas convenhamos: se o Ford tá com tudo em cima, não há argumento que convença porque, ao invés de encarnar novamente Indiana, ele não vai curtir sua mansão - se é que mora em mansão.
Outros sessentões
Vamos a uma lista de sessentões que segue firme em papéis de primeira linha. Em “No Vale das Sombras” (disponível em locadoras), temos o cara-de-pedra Tommy Lee Jones, de 62 anos, disputando com Susan Sarandon, também de 62, para ver quem prende mais a atenção do espectador. Al Pacino está com 68 anos, fez sensação no ano passado em “Treze Homens e um Novo Segredo” e está em três novos filmes em fase de produção. Em um deles, retoma a parceria com o diretor Michael Mann e com Robert De Niro, com quem atuou em “Fogo Contra Fogo”. De Niro, aliás, está com 65 anos e é praticamente onipresente nas telas de tanto fazer filme - seu currículo tem 89 trabalhos.
Poderia ficar aqui pelo resto desta página de tanto citar nomes de atores, diretores e produtores acima dos 60 que ainda não penduraram a chuteira - e nem trabalham por piedade. Para encerrar, fica a crítica a quem usa muletas de retórica (como a de depreciar idosos em papéis principais). É sinal de quem não tem condições intelectuais de ir para a vitrine das críticas porque simplesmente tem conteúdo de menos.