Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 26 de Maio 2008 - 22h50

Impagáveis insaciáveis


Dizia-se dos cômicos muito engraçados (como Oscarito e Grande Otelo) que eram impagáveis. Nossos vereadores não têm graça, às vezes são farsantes e tragicômicos, mas sempre um peso econômico para a sociedade: impagáveis. Volta e meia surpreendem quando se pensa que já cometeram tudo o que podiam dentro da lógica particular que os norteia. Agora, informa-nos A Cidade de sábado, tentam ganhar um salário extra sem trabalho.
A artimanha é patrocinada pelo prefeito Welson Gasparini, autor da lei que interpreta ardilosamente a legislação, o que pode lhes acrescentar R$ 9,1 mil mensais, nada menos do que um salário a mais, argumentando que os vereadores devem ganhar também os “extras” pagos aos deputados.
Se perguntar não ofende, como definir esta Câmara Municipal? É uma casa de leis, na qual cidadãos eleitos devem fiscalizar o Executivo e elaborar a legislação que impeça abusos políticos e oriente a prática administrativa, ou a sede de uma quadrilha, cujos membros preocupam-se principalmente em sugar o erário público, da forma mais agressiva e abjeta contra o pudor e a moralidade?
Se há exceções entre os vereadores, e é bom acreditar que sim, que elas se manifestem. E principalmente expliquem porquê não se pronunciaram quando a proposta ou coisa que o valha do prefeito Welson Gasparini foi aprovada. Quem votou a favor dessa imoralidade?
Como se sabe e é freqüentemente anunciado, a Câmara Municipal de Ribeirão dá um trabalhão ao Ministério Público. Mais uma vez o abuso está sendo investigado por um promotor. O que não resolve muito, pois condenados, os vereadores escapam ilesos. E aparentemente eles não têm pudor algum. Mais: reincidem e não dão satisfações. Pior: são reeleitos.

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