Hamilton de Andrade Lemos
Segunda-Feira, 26 de Maio 2008 - 22h51 Acabou uma de minhas mais antigas brigas com meus professores de português. E posso dizer que, pelo menos neste caso, a vitória foi minha, após décadas de litígio. Acabou o trema. Não precisaremos mais colocar aqueles dois pontinhos sobre a letra u, para dizer que ele não forma ditongo, quando este vier após g ou q e precedendo e ou i.
Você pode achar pouco, mas a vida fica bem mais simples sem essa excrescência da língua. A partir de agora, sempre que tiver dores musculares devido aos excessos da escrita, já posso passar qualquer unguento sem que o trema faça parte da fórmula.
Ninguém mais poderá arguir a minha pessoa sobre este sinalzinho infame quando quiser, por exemplo, comprar embutidos de carne suína. Pedirei linguiça e todo mundo vai entender o que eu quero. No máximo, especificarei somente a qualidade ou a marca. Penso que talvez até fique mais barata, visto que não terei que pagar pelo trema.
Embora tenha visto a notícia da morte do trema pela tevê, não notei nenhum comentário sobre as decorrências técnicas de seu fim. E deve haver muitas delas. No caso de frequência, preciso saber se a sintonia dos aparelhos eletrônicos, como o rádio e o celular, será alterada. Atenção, engenheiros, para a questão!
Ah, que alegria o fim do trema. Quantos quinquênios sofri com esta teimosia de português. Já não aguentava mais. Espero só que todo este tempo em que fui afligido por uma gramática opressora não tenha deixado sequelas em minha personalidade.
Um dos meus maiores medos era ser sequestrado e ninguém dar por minha falta, mas notar que a palavra estava sem trema. Mas, agora, tudo bem: sem o trema estou mais tranquilo.