Caderno C
Terça-Feira, 27 de Maio 2008 - 22h47
EMÍLIO SANTIAGO Intérprete é um dos concorrentes ao Prêmio Tim de música, em três categorias voltadas para a MPB
A maioria das pessoas conhece o cantor Emílio Santiago graças aos discos que gravou pela série “Aquarela Brasileira”. Foram sete ao todo, além de um álbum ao vivo com os sucessos desta fase. Mas sua carreira teve início bem antes disso. O carioca de 61 anos já contabiliza quase quatro décadas de profissão, que começou em boates e casas noturnas do Rio de Janeiro e programas de calouros da TV Tupi.
Seu primeiro disco é de 1975 e trazia no repertório músicas de gente respeitada como Ivan Lins, João Donato, Jorge Benjor, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Marcos e Paulo Sérgio Valle.
Não por acaso, o novo CD de Emílio tem um título revelador, “Um Jeito Diferente”, em que o intérprete parece querer exorcizar o estigma criado pelas “Aquarelas...”. O álbum concorre a três categorias do Prêmio Tim de Música que vai ser realizado hoje no Rio de Janeiro (ver box): melhor cantor de MPB, melhor disco de MPB e melhor cantor Voto Popular.
- Foi um disco que tive carta branca para escolher o repertório e que representa o amadurecimento de uma carreira de vários anos, afirma Emílio em entrevista por telefone.
Ao Vivo
Mas, por obra do destino, o intérprete só conseguiu essa liberdade depois que aceitou reler o repertório das Aquarelas em um projeto ao vivo: “O Melhor das Aquarelas”, de 2005. Em contrapartida, no contrato com a gravadora, Emílio teve a garantia de que, logo em seguida ao CD ao vivo, pudesse gravar um disco do jeito que quisesse. De qualquer forma, Emílio não renega a série que lhe fez fama.
- As “Aquarelas” foram um marco pra mim e consolidaram minha carreira dentro e fora do país. Foram quatro milhões de discos vendidos, garante.
O cantor lembra que o projeto inicial na época era de apenas um álbum, mas o sucesso foi tanto que durou anos. - Então resolvi parar. Queria cantar outras coisas, afirma.
De lá pra cá, investiu em discos ora românticos, ora bossa-novistas como “Emílio Santiago Encontra João Donato”, de 2003.
O intérprete conta que a parceria nasceu depois que deu uma canja num show do ídolo Donato no Rio. Na platéia, o produtor e músico Almir Chediak (falecido naquele mesmo ano) assistia a tudo e convidou a dupla para gravar um disco uma semana depois.
- Estou prestes a fazer o Volume 2 desta parceria. Donato é meu parceiro e amigo, informa.
Parcerias
Já “Um Jeito Diferente”, gravado em 2007, traz no repertório músicas de Marcos Valle, Carlos Lyra, Rosa Passos, Joyce, Tom Jobim, Durval Ferreira e, claro, João Donato que também toca piano na faixa de abertura, que batiza o disco.
No CD, Emílio também conta com três composições da carioca Mart’nália: “Calma”, “Contradição” e “Não me balança mais”. Nessa última conta ainda com a participação da filha de Martinho da Vila.
Quem também divide os vocais com Emílio no CD é Nana Caymmi, em “Olhos Negros”, de Johnny Alf e Ronaldo Bastos. O resultado foi considerado, por boa parte da crítica, um dos melhores trabalhos do cantor.
E imaginar que o carioca só resolveu se dedicar a música por muita insistência dos amigos da faculdade de Direito que cursava no final dos anos 60.
- Eles chegaram a me inscrever num festival estudantil à revelia. Não paravam de me pressionar e então acabei aceitando, recorda.
Atualmente, este fã de gargantas de ouro como Cauby Peixoto, Nat King Cole e Johnny Mathis diz que chegou a um patamar confortável em que pode assistir de camarote a banda passar.
- Hoje gravo o que gosto. E quando um cantor alcança este estágio é o resultado de uma carreira bem construída, comenta.
Emílio afirma que ouve de tudo, sem preconceitos, e, apesar do pouco espaço da música de qualidade na grande mídia, é um eterno otimista.
- A MPB é muito rica e sempre encontra várias saídas, argumenta.
Prêmio TIM 2008
Evento elege hoje melhores da música
O cantor Emílio Santiago é um dos 104 indicados na sexta edição do Prêmio TIM de Música que vai ser realizado hoje a partir das 21h no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. As categorias vão da MPB à música erudita, passando por pop, rock, samba, canção popular, eletrônico, regional, língua estrangeira e projeto especial.
Além dos eleitos pelo júri, vão ser anunciados ainda o Melhor Cantor e a Melhor Cantora escolhidos pelo voto popular e também o vitorioso na categoria “fulltrack”. Marieta Severo e Marcos Palmeira vão ser os apresentadores da cerimônia que vai ter o pernambucano Dominguinhos como o grande homenageado.
Durante a noite, vários sucessos do músico vão ser apresentados por artistas como Gilberto Gil (Eu só quero um xodó), Elba Ramalho (De volta pro aconchego), Nana Caymmi (Contrato de separação), Vanessa da Mata (Lamento sertanejo), Zezé Di Camargo & Luciano (Tenho sede / Vida de viajante) e Ivete Sangalo (Gostoso demais).