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Terça-Feira, 27 de Maio 2008 - 23h5

Torre de Palma Travassos pode cair, diz engenheiro


Se Ribeirão Preto quer ser uma das sedes de treinamentos de alguma seleção na Copa de 2014, é melhor se apressar. Pelo menos é o que pensam os membros do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) e a Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (Aeaarp). Ontem, pela manhã, eles apresentaram um estudo sobre a sustentabilidade das obras de infra-estrutura da cidade e falaram sobre os problemas dos estádios Santa Cruz e Palma Travassos. Sobre os estádios as notícias não são as melhores.
“Fizemos apenas uma inspeção visual. Não é um estudo que pode servir para se interditar um campo, mas deve ser levado em conta, pois aponta para problemas visíveis na estrutura dos estádios”, afirma o presidente do Sinaenco, João Alberto Manaus.

Torre ameaçada
A Jóia de Cimento Armado, como é chamado o estádio do Comercial, é onde foram verificados os pontos mais delicados. Um deles é uma torre de iluminação, visivelmente enferrujada. “Ali é uma região de fortes ventos. A estrutura está bem danificada e um acidente pode acontecer a qualquer hora”, fala Manaus. Segundo ele, existe o risco de queda das torres devido o estágio avançado de ferrugem. “A estrutura está oxidada e sujeita a um acidente, como a queda. Isto representa risco. Há dois anos alertamos sobre o problema e ele persiste”, afirmou o engenheiro. De acordo com a análise da estrutura não é possível apontar um “prazo de validade” para as torrres, mas com o aumento da ferrugem, o risco passa a ser maior.

Semelhanças com a Fonte Nova
No relatório do Sinaenco, alguns problemas de estrutura do Palma Travassos são semelhantes aos vistos na Fonte Nova, estádio onde morreram sete pessoas após o rompimento de uma parte das arquibancadas. No Palma Travassos o relatório aponta “peças estruturais importantes enferrujadas e aparentes. Problemas semelhantes aos encontrados no estádio Fonte Nova em Salvador/BA”, diz o levantamento.

Santa Cruz
Sobre o Santa Cruz, o presidente do Sinaenco explica que problemas foram detectados, mas em menor gravidade que os detectados em Palma Travassos. Em comum nos dois estádios estão as “perdas de cobrimento de concreto no anel da arquibancada com exposição das ferragens ao tempo, já bastante enferrujadas”.
“Em nossa última visita notamos que muitos pontos, como os vestiários, já estavam em obras”, afirma.
O levantamento realizado pelo Sinaenco no interior de São Paulo é uma seqüência do trabalho feito pelos engenheiros que apresentaram recentemente uma avaliação de 29 estádios de 17 cidades brasileiras que pleiteiam sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O levantamento do Sinaenco não é o primeiro a ser feito em Palma Travassos e Santa Cruz. Em abril os estádios foram objeto de análise do Ministério Público e de engenheiros e professores da Universidade de São Paulo (USP) campus de São Carlos.
Após vistoria nos dois estádios foi sugerida a não utilização de toda a arquibancada de Palma Travassos, inclusive o setor coberto. O custo das obras de recuperação das estruturas foi orçado em R$ 150 mil. No Santa Cruz os técnicos da USP sugeriram o fechamento do anel superior, setor conhecido como “churrasqueira”.


Clubes recebem laudo
Os engenheiros do Sinaenco vão apresentar hoje aos presidentes de Botafogo e Comercial o resultado do estudo feito pelos membros do sindicato e que apontaram os problemas nos estádios.
A inspeção visual não tem finalidade de interdição ou veto parcial dos estádios. Apesar disto os clubes já estão se mexendo para realizar melhorias. “Ainda não recebi este dossiê, mas sabemos que precisamos fazer algumas coisas e vamos providenciar”, disse o presidente do Botafogo, Virgílio Pires Martins. No Comercial, uma comissão tenta levantar recursos para pagar os mais de R$ 100 mil necessários para as reformas.

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