Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 27 de Maio 2008 - 23h6 O jornal inglês The Independent (15-05-2008) afirmou que a Amazônia é importante demais para “ser deixada aos brasileiros”. O milionário sueco John Eliasch comprou 161.874 hectares de floresta por US$ 8 milhões e declarou que com US$ 18 bilhões os estrangeiros podem comprar toda a Amazônia. A sua internacionalização já é tratada sem escrúpulos pelos que historicamente assaltam a região. O presidente Lula reage timidamente ao atrevimento.
Mas o que ameaça o Brasil, a julgar pelo que a imprensa produz, não é a cobiça internacional pela Amazônia, a biopirataria e o assalto ao seu bioma, o roubo de minérios e o contrabando de madeiras nobres, nem a tentativa das multinacionais patentearem produtos típicos da região, como aconteceu com o cupuaçu. Nada disso: o perigo é o Paraguai.
A grande ameaça é o Paraguai, cujo PIB é menor do que o da região de Ribeirão Preto. Os jornais publicam páginas demonstrando como aqueles mal agradecidos, que nos deveriam amar porque há quase um século e meio matamos apenas 70% da sua população masculina adulta, estão armados até os dentes para nos prejudicar.
A ameaça não são as inúmeras ONGs de “ambientalistas” financiados pelos bancos internacionais, que “protegem” nossos índios e a floresta. Nada disso: a ameaça vem de uns camponeses de pé no chão, ingratos, só porque no tempo das ditaduras que os dois países sofreram, os brasileiros compraram milhares de hectares dentro das fronteiras paraguaias. Por que será?
Por que os patriotas de plantão, sempre dispostos a menosprezar a matança que fizemos há mais de cem anos, porém que reflete demograficamente no Paraguai até hoje, sorriem para os gringos das ONGs e morrem de medo da “ameaça paraguaia”?