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Terça-Feira, 27 de Maio 2008 - 23h43
TIAGO NOVATO Vítima foi encontrada com tiro na nuca e sinais de tortura
Quatro policiais militares foram presos em Ribeirão Preto por posse ilegal de armas de uso exclusivo das forças armadas e explosivos. Eles também são acusados pela execução do mototaxista Tiago Ribeiro Novato, 25 anos, assassinado em 17 de junho do ano passado. O Ministério Público de Ribeirão Preto não descarta a possibilidade de os policiais terem formado um grupo de extermínio.
O corpo de Novato foi achado em um canavial de Jardinópolis com um tiro na nuca e com sinais de espancamento. Do lado do cadáver, foram encontradas luvas cirúrgicas.
“Quando fui ver o meu filho no IML, ele estava irreconhecível. Bateram demais nele. Foi uma covardia o que fizeram. A família quer justiça”, diz o pai, que prefere não dizer o nome.
Parentes do rapaz procuraram o Ministério Público e acusaram policiais de envolvimento no caso. Todos os denunciados tiveram os telefones grampeados com a autorização da Justiça.
Segundo o MP, durante as conversas, surgiram indícios de participação no crime. “Nos telefonemas, existem perguntas sobre álibi e conversas sobre o crime. Há indícios de participação no caso e da existência de um grupo de pessoas que se uniu para matar outra”, afirma o promotor Aroldo Costa Filho, do Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado).
Segundo a promotoria, o rapaz teria sido morto porque usava drogas na calçada da casa dele, que fica em frente à residência de um PM. “Tudo indica que o policial é um dos envolvidos no caso. Ele trabalhava em Serrana e veio para Ribeirão em abril de 2007. Outro suspeito preso trabalha em Serrana. Os outros dois trabalhavam na região do Ipiranga”, diz o promotor.
Os quatro PMs foram presos anteontem à noite por uma força-tarefa formada por policiais civis e militares, que vieram de São Paulo para fazer a operação em conjunto com o Gaerco.
Na residência deles, foram achadas munições e armas de uso restrito. Segundo o porta-voz da PM, capitão Naby Affiune, a Corregedoria da PM apura o caso e, se for comprovada a participação no crime, eles podem ser expulsos da corporação.
Polícia não ajudou, diz família
A família de Tiago Ribeiro Novato afirmou que o caso foi investigado graças à ação do Ministério Público de Ribeirão. Segundo os parentes, as Polícias Civil e Militar foram procuradas e não quiseram registrar a denúncia de ameaça de morte feita por PMs contra Novato.
O caso foi investigado, segundo o pai da vítima, porque um advogado procurou o Ministério Público e colocou os familiares em contato com o promotor Luiz Henrique Pacini Costa.
Em 2002, o promotor investigou a ação de um suposto grupo de extermínio formado por policiais civis. “Ele deu atenção ao caso e investigou”, diz o pai do rapaz.