Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 28 de Maio 2008 - 23h20 Meu artigo de ontem sobre a cobiça internacional pela Amazônia termina perguntando por que os “patriotas” menosprezam a matança que fizemos na guerra contra o Paraguai e se indignam com suas reivindicações sobre Itaipu, mas sorriem para os gringos das ONGs fincadas na Amazônia?
Para responder é preciso recuar até 1920, quando começou a se formular a geopolítica brasileira, cujo ápice aconteceu na ditadura militar, na Escola Superior de Guerra, sob orientação do coronel Golbery do Couto e Silva. A geopolítica de quartel, adotada pelos militares que tomaram o poder em 1964, foi instrumento teórico de sustentação do delírio de transformar o Brasil em “potência regional”. Visava ocupar espaços na América do Sul para o Brasil se impor como líder da região.
Com a ameaça revolucionária socialista e a guerra fria sustentando as ditaduras no Cone Sul, os militares receberam o apoio dos Estados Unidos e tiveram carta branca para aplicar sua geopolítica, cuja origem vem dos teóricos nazistas que ofereceram a Hitler as “razões de Estado” para invadir a Polônia e os demais territórios “vivos” da Europa.
Aplicada na América do Sul pelo Brasil (e tentada pela Argentina) havia dois pontos chaves: Paraguai e Bolívia. Para o coronel Golbery o país que dominasse o “triangulo central” da América do Sul, cujo cento ficava na Bolívia, dominaria o continente. Para dominá-lo era preciso submeter a Bolívia e o Paraguai e, principalmente, anular a Argentina.
Então construíram Itaipu, uma “arma de contenção” para a expansão argentina. Para construí-la foram necessários acordos espúrios. Para justificá-los exaltou-se o patriotismo. Escrevi três livros sobre isso, não dá para condensar em 20 linhas.