Cidades
Quarta-Feira, 28 de Maio 2008 - 23h40 A PM está fazendo uma varredura nas fichas de trabalho dos quatro policiais presos pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo. Eles são acusados da morte do mototaxista Tiago Ribeiro Novato, de 25 anos, e foram presos com armas e munições de uso restrito das Forças Armadas.
Novato foi assassinado em um canavial de Jardinópolis em junho do ano passado. O Ministério Público de Ribeirão Preto não descarta a possibilidade de os policiais terem formado um grupo de extermínio.
“Os comandantes estão verificando se existiam reclamações contra os PMs ou denúncias sobre outros casos de violência”, diz o capitão Naby Affiune, porta-voz da Polícia Militar de Ribeirão Preto.
Os soldados, que trabalham há 10 anos na Polícia Militar, também podem ser expulsos da corporação se for constatado que eles realmente tiveram participação no crime.
Processo
“Foi aberto na corporação um processo administrativo que corre ao lado do penal. Vamos fazer o inquérito que vai investigar e decidir se eles ficam ou não no trabalho”, diz o Affiune.
Segundo o capitão, os policiais foram presos por causa das conversas gravadas durante as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, onde eles conversam sobre o homicídio. Além das gravações também existem denúncias anônimas contra os soldados e o arsenal irregular encontrado na casa deles.
“A corregedoria teve um conjunto de informações. Os fatos foram ligados e a prisão foi pedida à justiça que decretou”, afirmou o capitão.
Crime
Tiago Ribeiro Novato, 25 anos, saiu de casa no dia 14 de junho do ano passado e não telefonou para a família. “Ficamos assustados porque ele sempre ligava. Procurei a Polícia Civil e disse que ele havia sido ameaçado de morte por policiais militares, mas ninguém deu bola”, diz o pai do rapaz que prefere não ser identificado.
O corpo dele foi encontrado no dia 18 de junho em um canavial de Jardinópolis com um tiro na nuca e sinais de espancamento.
“Deixaram ele no canavial porque pensaram que iriam colocar fogo na cana. Fizeram isto para esconder pistas, mas Deus foi maior”, diz o pai.
Ele afirma que achou o filho graças aos funcionários do IML (Instituto Médico Legal). “Como eu já tinha ido procurar o meu filho lá, eles me avisaram de um corpo. Cheguei era mais de meia noite e ele estava lá irreconhecível. Não existe dor maior para um pai”, afirma.
Segundo ele, apesar do rapaz ter sido encontrado com todos os documentos no bolso a Polícia Civil de Jardinópolis o mandou para o IML como indigente. “O delegado disse que era esse o procedimento”, afirmou.
Suspeitos do caso Barbon depõem hoje
Policiais militares presos acusados pela morte do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho ocorrida no dia cinco de maio do ano passado prestam depoimento hoje em Porto Ferreira sobre uma tentativa de homicídio ocorrida meia hora depois da morte do jornalista.
O Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), de Campinas, não descarta a possibilidade de ligação entre os dois crimes.
Para o Gaerco, a motivação para o assassinato do jornalista seriam as denúncias que ele fazia contra os policiais militares, entre elas, negligência no combate ao roubo de cargas.
Detidos
Os policiais Valnei Bertoni, César Ronceiro, o irmão dele, Edson Luiz Ronceiro e o capitão Adélcio Carlos Avelino estão detidos no presídio Romão Gomes, em São Paulo, acusados da morte. Eles negaram participação no crime. Familiares dizem que eles têm álibis. “São inocentes”, diz a esposa de Edson, que não quis falar o nome.
O comerciante Carlos Alberto da Costa, preso na penitenciária de Itirapina, é acusado de ser o dono da arma usada no crime. Ele também nega participação no assassinato.