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Quinta-Feira, 29 de Maio 2008 - 23h8

Debutando em maratona

MATHEUS URENHA Debutando em maratona NUNCA ESQUECE Lucilena, Joaquim, Benedito, André e Francisco se preparam para a primeira maratona de suas vidas

Um grupo de cinco atletas amadores de Ribeirão Preto se prepara para um dos maiores desafios de suas “carreiras” como corredores de rua: participar da Maratona de São Paulo. A prova será neste domingo.
André Gonçalves da Silva, Joaquim Alves Vieira, Benedito Pedro da Silva, Francisco Miguel Neto e Lucilena Batista Xavier serão alguns dos muitos atletas da cidade que estarão entre milhares de participantes da Maratona mais importante do país. Nenhum dos cinco atletas participou de Maratona. Mas todos se dizem preparados. “Nesta semana fiz um treino, fui e voltei até Sertãozinho. Corri 39 km bem. Meu desafio é completar e vou conseguir”, disse o jardineiro Francisco Miguel, de 30 anos.
Outro que fez um teste nesta semana foi o calheiro Joaquim Alves Vieira, de 57 anos. “Corri 44 anos. Eu não participava de Maratona porque o pessoal da minha faixa etária normalmente demora mais de 4 horas para completar. Achava muito tempo para ficar correndo. Mas nesta semana fiz 44 km em 3h50min e acho que posso até ficar entre os 10 melhores de minha categoria”, disse o calheiro, que já participou de diversas provas de Meia Maratona e de 10 km, sendo que algumas provas foram fora de São Paulo.

Sem testes
Porém, no grupo de Ribeirão também existem corredores que nem chegaram perto de correr 42 km. “Em treinos longos o máximo que fiz foram 28 km. Todos dizem que depois dos 30 km que a coisa aperta, mas tenho certeza que vou conseguir completar a maratona”, disse o gerente de manufatura André Gonçalves da Silva, de 35 anos. “O importante vai ser manter o ritmo, não forçar. Meu desafio é completar a prova sem andar”, completou o corredor.

Apelido
O grupo também possui algumas histórias curiosas. O calheiro Joaquim corre sua primeira maratona justamente para fazer jus ao apelido que ganhou no bairro onde mora: o Jardim Irajá. “Todo mundo que me via correndo me chamava de maratonista. Mas eu nunca tinha corrido uma maratona. Então resolvi justificar o apelido e participar da Maratona de São Paulo”, disse.
Já o jardineiro Francisco conta sua saga diária de trabalho e treinamentos. “Saio de casa (Jardim Maraia Goretti) para trabalhar como jardineiro na avenida Maurílio Biagi. Vou de bicicleta. São 18 km para ir e voltar. Acabo voltando para casa somente às 21 horas, quando não tem treino, mas isso ajuda a manter a forma”, comentou.
Francisco ainda se vangloriou de sua resistência física. “Já vim de Jaboticabal para Ribeirão correndo. Foram 67 km. Tenho muita resistência”, afirmou.
Já Lucilena parece ser o xodó do grupo. A empregada doméstica de 38 anos arranca risos dos amigos quando conta sua rotina diária.
“Eu moro na Vila Tibério e quando tem treino aqui na Cava venho correndo. No caminho passo na casa da Iara (Iara Karina Vicente, também atleta) e trago ela para treinar”, disse, causando risos no grupo, já que, ao invés da carona, a empregada doméstica faz apenas companhia para a amiga atleta.


Doméstica pode ficar fora pelo segundo ano seguido
Mesmo animada para a Maratona de São Paulo, a empregada doméstica Lucilena Batista pode ficar fora da prova deste domingo por causa da falta de recursos.
Enquanto conversava com a reportagem, a atleta ficou sabendo que não haverá ônibus gratuitos para os atletas que irão participar do evento. “Pensei que ia ter o ônibus. Só tenho dinheiro para a inscrição. Amanhã (hoje) vou correr atrás de alguns amigos para ver se consigo dinheiro para a passagem e hospedagem”, disse.
Se a não participação da atleta for confirmada, será a segunda seguida. Em 2007, Lucilena já havia conquistado todos os recursos para participar da competição, mas acabou sendo atropelada a poucos dias da prova.
“Estava vindo treinar na Cava do Bosque. Quando fui atravessar a Francisco Junqueira, o sinal ficou verde, mas um motorista mandou eu atravessar. Mas eu não vi uma moto, que acabou me jogando na sarjeta. Me machuquei bastante, mas por sorte não bati a cabeça”, disse Lucilena, que na Corrida da Solidariedade, no último domingo, ficou na quarta colocação.



JEAN VICENTE

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