Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 29 de Maio 2008 - 23h9 Empresas são vasos que atuam na guerra de mercado. Somente em casos extremos os países invadem, com seus exércitos, outros países que desejam ocupar. Atualmente, de maneira muito mais sutil, a ocupação ocorre com marcas e com os próprios produtos.
Mas a influência das empresas mais poderosas, dentro dos países, ainda tende ser cortada – nos termos de legislação vigente – pela ação do setor estatal. Na busca de um mercado competitivo, a burocracia – sempre que possível – limita a fusão de empresas, mesmo quando o objetivo é formar unidades de produção mais robustas, mais fortes, em condições de competir com as gigantes que operam no mercado internacional. Aliás, as empresas transnacionais privatizaram o direito internacional público, submetendo-o à sua inteira direção. O que – mesmo com o estado fragilizado – não tem ocorrido dentro dos países. Pelo menos como acontece no mercado internacional.
A origem deste fato é norte-americana. Os Estados Unidos, cada vez mais, instauram de maneira absoluta o que podemos denominar de democracia de negócios. Ela nasce do capitalismo de mercado, baseado na competição aguda entre as empresas.
O que estamos pintando é apenas uma fase inicial do que se pode denominar de gradativo desaparecimento das fronteiras nacionais. Que, ficando cada vez mais borradas, permitem a unificação das nações. A conseqüência primeira é a aceleração na fusão de idiomas. Aqui, do lado da América Latina, surge de maneira nítida o que a mídia tem denominado de portunhol. Já o espaglês – fusão de inglês com espanhol, os dois idiomas mais falados dentro dos Estados Unidos nos dias de hoje – aparece nas proximidades do México, em fronteira com a parte inglesa da América do Norte.
O conceito de nação se altera. O que era nação passa a ser mercado. O mais importante no cidadão passa a ser o consumidor. No mercado, quem tem o dinheiro tem a razão.